Dom Antônio Soares Costa, Bispo de Caruaru, analisou, ontem, o desemprego, tema da Campanha da Fraternidade da CNBB deste ano, considerando-o um problema social decorrente da “financeirização do mundo” ensejada pelo processo de globalização das economias.
Depois de registrar dados alarmantes sobre o desemprego no mundo e no Brasil, lamentando a posição ocupada especialmente nesta estatística pelos negros e mulheres, Dom Antônio condenou o trabalho infantil classificando esta realidade como absurda e contraditória. Para ele, a introdução de novas tecnologias, sem preocupação com a qualificação da mão-de-obra e com a geração de novos postos de trabalho, está criando “a fábrica sem trabalhadores”.
O Bispo de Caruaru atribuiu o crescimento do desemprego à subordinação e dependência do Brasil ao capital especulativo das finanças internacionais, que, segundo lembrou reportando-se à declaração de um grande investidor, “atualmente não obedecem a nenhuma lei”. Neste sentido, criticou a política econômica nacional pela “ausência de mecanismos de combate à concorrência externa desleal, os juros altos e o câmbio sobrevalorizado”.
Dom Antônio Soares Costa também abordou as consequências da falta de trabalho, afirmando que “a situação do crescente desemprego cria insegurança em todos e abala os fundamentos da própria sociedade; atinge a dignidade da pessoa, as famílias e comunidades, além de agravar as tensões sociais e o clima de violência”.
O desemprego é um sinal e fator de exclusão social; fere a ética, pois dificulta e, não raro, impede a vida digna; contradiz o projeto de Deus o homem e a mulher são imagem e semelhança de Deus ; e contradiz, também, o princípio da destinação universal dos bens”, acrescentou.
Ao concluir, ele defendeu a adoção de “um novo modelo de sociedade, baseada na justiça e na solidariedade, que tenha o ser humano como prioridade; uma sociedade que promova a cultura da solidariedade, da sobriedade e da subsidiariedade, substituindo a cultura de morte”. E conclamou: “é preciso criar uma sadia consciência nacional”. (Heitor Rocha)