Luciana prega reação popular

Em 24/02/1999 - 00:00
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Luciana prega reação popular Uma reação de massa. É essa a previsão que o Partido Comunista do Brasil (PC do B) faz para o atual momento político nacional, apontando ainda que esta será uma alternativa para que o País supere a atual crise econômica. “Por conta de toda essa instabilidade, não há como subestimar as condições para um amplo movimento de massas. Haverá muita efervescência e só com o povo nas ruas poderemos garantir o processo institucional e, ao mesmo tempo, promover mudanças objetivas para o conjunto da sociedade”, avalia a deputada Luciana Santos, representante dos comunistas na Assembléia Legislativa de Pernambuco.A parlamentar admite que o PC do B vem acompanhando a conjuntura nacional com preocupação, a partir de movimentações de forças em diversas direções, algumas delas defendendo a fujimorização (fenômeno ocorrido no Peru, onde o presidente Alberto Fujimore, depois de eleito, fechou o parlamento e governa sob os princípios do autoritarismo) no Brasil. Os comunistas, que contam com sete deputados no Congresso Nacional, reforçam a tese daqueles que constatam “um grande vácuo de poder e, portanto, um ambiente de crise institucional”.”A direita quer uma saída para a crise, através de golpe, e já se movimenta neste sentido. Sua estratégia é afirmar que os problemas não estão relacionados com o neoliberalismo e com a dependência do País frente ao capital internacional. É preciso resistir a essas manifestações.

Enquanto nós reconhecemos a gravidade da crise, mas defendemos que uma de suas causas foi a perda de nossa soberania e que as alternativas sejam criadas dentro do processo democrático e institucional”, comparou a dirigente comunista.Apesar do quadro instável, há aspectos que o PC do B identifica como positivos no enfrentamento da atual situação. Um deles, destaca, é a criação do bloco de oposição composto pelos partidos de esquerda. Mas os comunistas consideram que a novidade mesmo “é a politização da sociedade em defesa da soberania nacional”. O PC do B observa que a população já debate com maior intensidade as relações entre os organismos financeiros internacionais e o Governo brasileiro, tendendo a constatar os equívocos promovidos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso na condução do processo de privatização das estatais e do acordo com o FMI.Pernambuco – Luciana Santos não tem dúvida de que os desdobramentos do momento nacional vão atingir a conjuntura política, econômica, social e cultural do Estado. “A movimentação política do governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) revela um comportamento de total subserviência à orientação de Fernando Henrique Cardoso. Suas primeiras medidas reforçam a mesma fórmula usada pelo Governo federal no sentido de dizimar instituições estratégicas”, compara.A líder do PC do B sustenta seus argumentos com base na Reforma Administrativa encaminhada pelo Governo do Estado à Assembléia Legislativa e aprovada no mês de janeiro, que prevê, entre outras medidas, a possibilidade de privatização da Compesa, Lafepe, Ipa e Itep. Segundo Luciana, essas instituições fazem parte do que ela compreende com o setores estratégicos para o Estado e para a população.”A questão da água é um elemento hoje discutido em todo o mundo pelo seu valor primordial para o futuro. O conhecimento tecnológico e biotecnológico idem. Embora ainda não esteja definido, a tendência do Governo Jarbas e repassar o controle, que hoje pertence ao Estado, para outras mãos. Ora, essa experiência, cujos resultados confirmaram-se agora prejudiciais para o País e para o povo, nós já assistimos quando o presidente Fernando Henrique entregou reservas estratégicas ao capital privado. Mas o governador, tudo indica, quer seguir à risca aquele modelo implementado para não contrariar as forças que sustentam o seu Governo”.Nessa linha de raciocínio, a deputada incorpora idênticas movimentações das forças políticas e sociais no Estado, guardadas as devidas proporções. No plano político, ela reconhece as dificuldades de reconstruir o bloco de oposição ao Governo Jarbas. “Acho que não podemos cair no formalismo e nem afirmar uma unidade apenas superficia lmente. Mas, a partir de um esforço conjunto e das contradições concretas que tendem a surgir, é possível superar as divergências e reaglutinar nossas forças”, aposta.Quanto ao sentimento da população Luciana Santos é mais otimista. “Ainda não dá para dimensionar sua proporção, mas acredito que haverá uma reação natural, caso o Governo Jarbas insista em aplicar para Pernambuco a fórmula que FHC adotou para o País. A contradição entre as medidas e a realidade do povo será inevitável”, prevê. (Jair Pereira)