Comparar Pernambuco com outras unidades da Federação, notadamente com o Ceará, em termos de progresso ou atraso, tem sido uma constante. O deputado Fernando Lupa (PSB) decidiu rebater tal posicionamento por entender que não devemos nos espelhar em outras economias, “não necessariamente em melhor situação que a nossa”, embora façamos questão de muitas vezes passar a imagem de um atraso inexistente.
“É claro que não devemos jamais ignorar experiências exitosas onde aconteçam, seja no Cabo de Santo Agostinho ou em Miami Beach. Mas creio que devamos deixar de lado a adoção do Ceará como a maquete dos Jardins do Éden. Afinal, sou muito mais Pernambuco”.
Lupa confessa-se inquieto com as infindáveis comparações entre Pernambuco, Bahia e Ceará, vendo com apreensão nossos governantes aprofundarem cada vez mais a discussão. “A começar pelo próprio governador Jarbas Vasconcelos, que em suas peças publicitárias promovia verdadeira apologia ao Ceará, tomando por modelo várias iniciativas ali desenvolvidas”.
Sem rodeios, o deputado socialista rebateu as interpretações fantasiosas sobre os encantos de outras terras em detrimento dos valores pernambucanos. Depois de traçar um quadro um tanto ríspido de atraso e mazela, afirmou: “Não há no interior do Ceará nada digno de comparação com Petrolina, Caruaru ou mesmo Garanhuns. Reputo ser Fortaleza, no máximo, a cidade do Recife de duas décadas atrás, sob qualquer prisma”. Indo mais adiante, criticou o modelo de segurança imposto pelo Governo Jarbas Vasconcelos, copiado dos cearenses, inclusive entregando o comando a um general.
Fernando Lupa assegurou haver caído por terra a suposta excelência dos cearenses em relação ao combate à violência e fundamentou-se numa série de críticas feitas por deputados governistas que dão suporte à administração Tasso Jereissati. “A estratégia considerada modelo para Pernambuco, segundo os deputados cearenses, mostra-se inteiramente ineficaz”, complementou.
Defendendo ardentemente o potencial pernambucano, o parlamentar fez referência a uma pesquisa realizada pela Consultoria em Gestão TGI, fruto de enquete com l90 empresas. O documento apresenta diversas vantagens comparativas de Pernambuco dentro do contexto da região, entre as quais mão-de-obra qualificada, bases científica e tecnológica consistentes, poder aquisitivo, fornecedores competentes de serviços e componentes.
Neste posicionamento, Fernando Lupa lembrou a existência de forte demanda por parte do empresariado e da sociedade pernambucana para se assumir mudança comportamental em todos os níveis, sobretudo na classe política.
Censurando episódios como “a torcida e a clara interferência contra a antecipação dos recursos da privatização da Celpe, que mostrou a quanto pode chegar a luta pelo poder”, ele reconheceu que nesse aspecto devemos nos deter sobre o modelo cearense, onde o pacto pelo desenvolvimento “aglutinou forças políticas e empresariais de diferentes correntes em torno de um objetivo maior”. E convocou os pernambucanos, de todas as classes, políticas, empresariais e trabalhadores, a incorporarem-se “no mais arraigado sentimento de pernambucanidade”. (Antônio Azevedo)