Encontro define melhor aproveitamento do lixo Uma pesquisa detalhada que vai revelar a procedência do lixo produzido em Pernambuco, como ele deve ser tratado e a forma de combater a sua má utilização. Esse é o resultado do I Encontro Pernambucano para Gerenciamento de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde, que aconteceu ontem na Assembléia Legislativa.
Representantes da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Hemope, empresas de tratamento de lixo e profissionais da área de saúde reuniram-se no auditório da AL, à convite da Comissão de Cidadania, presidida pelo deputado João Braga(PV), no sentido de buscar soluções viáveis para o problema do acúmulo de resíduos no Estado (ver números no quadro abaixo).
Os resíduos sólidos se caracterizam como todo o material que é jogado fora por unidades médicas humanas ou animais, unidades farmacêuticas, portos e aeroportos e divide-se em quatro categorias: o tipo A são aqueles que apresentam riscos potenciais à saúde pública, como sangue, objetos e cortantes; as drogas quimioterápicas, medicamentos vencidos e substâncias inflamáveis compõem o tipo B; já o C é todo tipo de material ou substância radioativa; no grupo D, é o chamado lixo domiciliar.
Duas empresas de tratamento de lixo foram convidadas para falar das vantagens e desvantagens de dois processos de tratamento, o de autoclave e o de Incineração. A Baumer, empresa que fabrica máquinas para a desinfecção do material através da exposição ao vapor de altas temperaturas, e a Serquip, que utiliza o processo de incineração dos produtos.
Boas notícias – Um projeto do Governo Estadual criou a Lei do ICMS Ambiental.
Agora, de todo o imposto arrecadado no Estado e distribuído para os municípios, 25% vão para o ICMS Ambiental. Desse percentual, 5% serão destinados ao tratamento do lixo nas cidades, o que vai gerar recursos na ordem R$ 35 milhões ao ano.
Enquanto isso, o Hemope já investe na área de tratamento de lixo. Em parceria com o Hospital da Restauração, o hemocentro vai construir uma autoclave conjunta, que será utilizada pelos hospitais. A estação de tratamento ainda vai para licitação.
O deputado João Braga adiantou que não há data definida para o próximo encontro, mas que ficou “bastante satisfeito” com as questões levantadas ontem.
Plenário Braga ainda destacou à tarde, no Plenário, a importância do encontro que reuniu quase 100 técnicos no assunto, responsáveis pela destinação dos resíduos sólidos das redes hospitalares pública e privada. “É muito importante a articulação dos setores públicos e privados para que possamos aprofundar a discussão e dar o devido tratamento ao lixo para que deixe de ser motivo de risco para os cidadãos”, afirmou Braga.
Ele lembrou que os resíduos sólidos produzidos nos hospitais, com exceção dos instrumentos cirúrgicos e materiais perfuro- cortantes são tão danosos à saúde quanto o lixo doméstico. Braga afirmou a importância de desenvolver soluções urgentes para o problema já que existem dificuldades na coleta e tratamento dos resíduos de grande parte da rede hospitalar do Estado.
Em aparte, o líder do PMDB, deputado Hélio Urquisa, parabenizou Braga pela iniciativa do debate e lembrou que o projeto de transformar o Lixão de Aguazinha, em Olinda, num aterro sanitário ou estação de tratamento foi deixado de lado. “Não quero culpar somente a administração da prefeitura de Olinda, mas é lamentável o ocorrido depois da repercussão do caso da mulher que coletou restos de carne humana e ofereceu como alimento para seus filhos”, afirmou Urquisa.
Números do lixo em Pernambuco Cada habitante gera cerca de 1kg por dia.
Apenas 1% deste total é reciclado.
Existem 200 lixões em apenas 72 municípios diagnosticados dos 184 existentes no Estado. O que dá uma média de quase 3 por cidade.
81% deles contam com a presença de catadores.
35% desses catadores residem nos próprios lixões.
Em 40% deles as crianças trabalham como catadores.
Existe apenas um aterro sanitário em PE, na cidade de Caruaru.
Fontes: Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio e Ambiente e Fundação Hemope
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