AL cria Comissão para apurar se existe monopólio no setor leiteiro

Em 09/04/2002 - 00:00
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AL cria Comissão para apurar se existe monopólio no setor leiteiro A Assembléia Legislativa poderá criar uma Comissão Especial para apurar as denúncias de monopólio no setor leiteiro. A iniciativa de solicitar a abertura da Comissão partiu do líder da bancada de Oposição, deputado José Queiroz (PDT), depois de receber as denúncias feitas pelos produtores de leite do Agreste Meridional. De acordo com o deputado, depois que a Cilpe foi privatizada, a pecuária leiteira do Estado entrou em processo de estagnação e desativação da produção.

Queiroz disse ainda que o presidente da Sociedade dos Criadores do Agreste Meridional, o engenheiro agrônomo José Maria Vieira de Azevedo, está questionando os motivos da única bacia leiteira tropical do mundo estar enfrentando esse “processo lento e penoso de extinção”. “Sua denúncia aponta que os 42 mil pecuaristas estão sendo, literalmente, garroteados por um cartel controlado por uma grande indústria, que processa 54% do leite produzido, dando margem a uma manipulação absurda dos preços”, acrescentou o parlamentar.

O assunto foi abordado, também, pela líder do Governo, a deputada Teresa Duere (PFL). A deputada discordou do pronunciamento de José Queiroz, por ele ter criticado a atuação do Governo na bacia leiteira, mas o parlamentar respondeu, esclarecendo que é dever da Casa dar ressonância ao sofrimento e angústia da população. Daí a sua crítica à situação na região, onde a produção caiu de 500 mil litros para 150 mil, os preços estão em queda e há o aspecto negativo do monopólio exercido pela empresa multinacional Parmalat.

O deputado Hélio Urquisa, em aparte, alertou que o governo está atento ao problema da bacia leiteira, enquanto Teresa Duere reconhecia ser importante discutir o problema do leite, da castanha, da laranja, do mercado, pois a agricultura não conta com uma política de preços, de comercialização.

O presidente da Casa, deputado Romário Dias, destacou também a preocupação dos produtores de leite, dos pecuaristas, assegurando que conhece bem o presidente da Cooperativa, da Sociedade dos Criadores do Agreste Meridional, José Maria Azevedo. Romário Dias acrescentou que atualmente, ao contrário dos tempos da Cilpe, há necessidade de buscar novas opções, intensificar o esforço de melhoria do rebanho e da produtividade.

O presidente lembrou que nos anos 90, em função da estiagem, o rebanho do Estado migrou para outros pontos do Norte e Nordeste. Assim minguou a pecuária em Pernambuco e ficou difícil competir em função de preço, de qualidade, questões que exigem amplo debate, de sorte a criar condições para fortalecer as empresas do setor, num total de 19, ampliar a participação no mercado e evitar a cartelização ou o monopólio.