Apoio de empresas às campanhas é debatido

Em 08/11/2002 - 00:00
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O deputado Antônio Moraes, líder do PSDB, ocupou a tribuna, na tarde de ontem, para falar sobre o financiamento da campanha eleitoral do governador Jarbas Vasconcelos (PMDB). O assunto já havia sido discutido, anteontem, pelo deputado Guilherme Uchôa (PDT), que estranhou o apoio financeiro de empresas que atuaram durante o 1º Governo Jarbas. O pronunciamento provocou o enquietamento dos demais parlamentares, que registraram suas opiniões sobre o tema.

Moraes discordou de Uchôa alegando não haver problemas com o apoio recebido pelo governador, “visto que vários candidatos, de diversos partidos, utilizaram os mesmos recursos”. Ele registrou, ainda, a regularidade das contas da campanha de Jarbas.

O deputado Nélson Pereira (PCdoB) registrou o caráter polêmico da matéria, considerando-a atual na política brasileira. “Fica registrado o apoio dos grandes grupos financeiros nas campanhas, a exemplo do apoio recebido por Jarbas Vasconcelos, de empreiteiro que trabalham para o Governo, como também a ajuda concedida ao candidato Humberto Costa (PT), pelas empresas prestadoras de serviço à Prefeitura do Recife. Ele aproveitou para exigir da Assembléia atenção especial para a necessidade do financiamento público de campanha. Tal medida “possibilitaria uma disputa mais democrática entre pequenos e grandes candidatos”, disse.

O deputado Hélio Urquisa (PMDB) aproveitou para registrar um avanço com a liberdade de financiamento das candidaturas eleitorais, assegurada pela Lei Eleitoral. “Um avanço maior virá com a reforma política, permitindo o financiamento público”, completou.

Uchôa voltou a frisar a existência de um “desequilíbrio” nas concorrências por conta do financiamento das campanhas. “Não é muito ético o apoio financeiro dado às campanhas eleitorais para governador”, disse Uchôa. Ele relacionou o cenário eleitoral com a falta de oportunidade enfrentada pelos candidatos menores, por estarem isentos do apoio de grandes financiadores. “Falta igualdade de condições de disputa, isso representa a coisa mais desequilibrada no processo democrático”, finalizou.

O deputado João Negromonte (PMDB), declarou não ver “problemas com os candidatos receberem apoio de empresas que trabalharam no Governo”. Negromonte classificou o debate como “inútil e absurdo”, descartando a existência de irregularidades.