Romário Dias lamenta absolvição

Em 09/04/2002 - 00:00
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Romário Dias lamenta absolvição A decisão da Justiça de Caruaru de absolver todos os acusados da tragédia da hemodiálise gerou protestos ontem, na Assembléia Legislativa, do presidente da Casa, deputado Romário Dias (PFL). “Não é possível este caso grave ficar impune, vamos consultar a Procuradoria Jurídica da Casa e junto com a Comissão de Defesa da Cidadania buscaremos alternativas para continuar defendendo os sobreviventes e os familiares das vítimas fatais”, desabafou Romário. O deputado recordou a ação da CPI da Hemodiálise, dirigida por ele, que contribuiu para elucidação da contaminação dos pacientes que realizavam tratamento de hemodiálise no Instituto de Doenças Renais (IDR). A setença foi proferida pelo juiz Sérgio Paulo Ribeiro da Silva, designado especialmente para o caso pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

No final de fevereiro de 1996 (entre os dias 20 e 28), os pacientes renais crônicos do IDR foram contaminados pela toxina Microsystina LR, surgidas das microalgas existentes na água usada nas máquinas, em número muito além do permitido. Como o IDR não recebia água todo dia pela tubulação da Compesa devido o racionamento, teve que recorrer a caminhões pipa. Também foram identificadas vítimas no Instituto de Nefrologia e Urologia de Caruaru (Inuc).

A contaminação em série resultou em mais de 60 mortos e mais de 50 sobreviventes ficaram com seqüelas graves.

Auxiliado pelo trabalho da CPI, o Ministério Público concluiu as investigações pelo envolvimento dos diretores do IDR, médicos Bráulio Coelho e Antônio Bezerra Filho, o médico plantonista do IDR, Idelfonso Rodrigues (também diretor do INUC) e, ainda, a então diretora da IV Regional de Saúde, Flora Raquel, o diretor regional da Compesa, Judas Tadeu e a diretora de Epidemiologia do Estado, Chistiane Holmes. Depois de oferecida a denúncia e aberto o processo, o mesmo tramitou de forma lenta, favorecida pela recusa dos juízes de Caruaru em julgar o caso. Holmes conseguiu sua exclusão do processo em decisão do TJPE.

“Tivemos duas grandes surpresas recentes sobre a tragédia da hemodiálise.

Primeiro o processo ia prescrever sem que houvesse o julgamento. Enviamos ofício ao presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco, que atendeu nosso apelo e designou um juiz para continuar o trabalho e agora a decisão concluindo pela falta de provas”, disse Romário, acrescentando que a decisão “gera revolta e apreensão para vítimas que ficaram esquecidas pela Justiça