Gomes diz que mortes poderiam ser evitadas

Em 28/06/2002 - 00:00
-A A+

Gomes diz que mortes poderiam ser evitadas No Brasil, em 100 mulheres que morrem por complicações da gestação, parto e puerpério, 96 poderiam estar vivas se tivessem contado com boa assistência de saúde. Essa revelação partiu do deputado Jorge Gomes (PSB), que, ao divulgar a estatística, trazendo a questão ao debate, disse sentir forte “sentimento de pesar diante do quadro nacional”.

Ele esclareceu que as mortes se distribuem por quatro caudais: doenças hipertensivas, possíveis de serem evitadas pelo simples exames de pressão durante o período de gestão e parto; hemorragias, evitáveis em hospitais equipados com sangue e profissionais qualificados; abortos infectgados, colocando a necessidade de acesso mais amplo ao planejamento familiar; e infecções pós-parto, a exigir o acompanhamento regular e domiciliar às mulheres, no período próximo à concepção.

Em termos de Pernambuco, segundo Gomes, a mortalidade materna continua fazendo vítimas, sendo 40% dos casos na Capital, de pessoas vindas de outros municípios. Por isso, em 1994, o Comité Estadual de Estudos da Mortalidade Materna de Pernambuco, baseando em portaria da Secretaria de Saúde e contando com entidades federais, estaduais e municipais passou a agir, procurando desempenhar suas atividades de cunho técnico-científica e educativa.

Jorge Gomes frisou que no relatório de atividades do ano passado, o comité denunciou uma atuação “autoritária e centralizadora da Secretaria Estadual de Saúde, desrespeitando os princípios de controle social, como regulador/estimulador de suas ações”. Cita inclusive negligenciamento da Secretaria.

O parlamentar reportou-se à emenda por ele apresentada no exercício do ano 2000, relativa à saúde da mulher, criando central de leitos, e outra emenda, disponibilizando recursos para o funcionamento do Conselho Estadual de Estudos da Mortalidade Materna. E lamentou que a Secretaria de Saúde tenha assegurado que não se obrigava a executar as emendas aprovadas pela Alepe. Gomes criticou esse comportamento, solidarizando-se com os que “insistem na ação construtiva e na militância pela vida das mulheres em idade fértil”.