O novo modelo de gestão compartilhada do Ginásio Pernambuco (GP) foi o tema de uma visita que representantes do Instituto de Co-Responsabilidade pelo Ensino de Pernambuco realizaram, na manhã de ontem, ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado Romário Dias (PFL). No encontro, ficou definido que a AL será o elo entre a proposta de funcionamento do novo GP e a sociedade. À tarde o presidente reuniu-se, também, com representantes da comunidade do GP (professores, alunos e pais), quando propôs a criação de uma comissão representantiva para acompanhar e debater todo processo para reabertura da escola.
“A princípio, a Comissão de Educação e Cultura ficará responsável por promover reuniões e, posteriormente, faremos um debate para abordar o assunto com os deputados eleitos e reeleitos interessados no tema”, assinalou Romário Dias, acrescentando que serão realizadas audiências públicas para aprofundamento das discussões com os setores organizados da sociedade civil e os representantes do GP.
O modelo proposto por empresários como o presidente da Chesf, Mozart Siqueira, e o presidente da Philips, Marcos Magalhães – que estão vinculados ao instituto recém-criado – é partilhar a gestão do GP como um modelo de educação para o Estado. A parceria entre o Estado e empresários para gestão da escola é inédito no País. “Nosso objetivo é a melhoria do ensino médio, já que assistimos, nos últimos 20 anos, a uma deteriorização da educação em nosso País. Não se trata de uma privatização, uma vez que o ensino continuará público e gratuito”, observou Mozart Siqueira, acrescentando que a manutenção das despesas com o novo GP seria realizada entre o Governo do Estado e um fundo especialmente criado para esse fim. As duas empresas e mais a Odebrecht e o ABN Amro Bank foram responsáveis pela reforma física do prédio.
De acordo com o modelo proposto, no GP – que já foi referência do ensino público em décadas passadas – estudariam mil alunos, em regime integral (das 8 às 16h), sendo que os mais carentes receberiam uma bolsa-manutenção para que não precisassem trabalhar.
A idéia, segundo o presidente da Philips, Marcos Magalhães, é que o modelo seja copiado, no futuro, em outras unidades educacionais na Região Metropolitana do Recife e interior. Algumas empresas européias, inclusive, já manifestaram a intenção de cooperar com a iniciativa, por meio da doação de materiais e equipamentos. Ainda de acordo com o projeto, os professores seriam selecionados para regime de dedicação exclusiva ao GP.
O projeto, no entanto, está provocando polêmica dentro da AL. O deputado Jorge Gomes (PSB), que participou da primeira reunião, manifestou-se contrário à idéia, alegando que o assunto não foi discutido com a sociedade e já chegou definido para a Assembléia e com data de início de funcionamento: 1º de março de 2003.
“A Assembléia deveria ter sido convocada para um grande seminário sobre o assunto. Sou contra, porque estaremos criando ilhas de excelência, formando elites em detrimento da maioria. O Estado tem que manter sua responsabilidade pela educação”, criticou Gomes.
No encontro da tarde, o presidente da Comissão de Educação e Cultura, deputado Gilberto Marques Paulo (PSDB), justificou que houve um equívoco metodológico em relação a reabertura do GP. “Faltou mais diálogo e transparência”, assinalou. O deputado Paulo Rubem Santiago (PT) sugeriu que o grupo fizesse uma visita à promotora que já decidiu realizar uma investigação preliminar sobre o edital para seleção dos professores.
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