Audiência debate futuro do GP

Em 09/07/2002 - 00:00
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Audiência debate futuro do GP A proposta do Governo de implementar um novo modelo de gestão administrativa no Ginásio Pernambucano (GP) voltou a ser discutida na Assembléia Legislativa.

Professores e alunos da escola participaram de uma Audiência Pública realizada ontem pela Comissão de Defesa da Cidadania, para que a proposta fosse apresentada e discutida pelo secretário de Educação, Francisco de Assis. Depois de três horas de discursos inflamados e apesar de terem saído do auditório sem que o assunto fosse esclarecido professores, alunos e parlamentares deram um ‘voto de confiança’ ao secretário que, depois de avaliar as colocações feitas pelos participantes da Audiência, vai apresentar o posicionamento do Governo numa outra reunião.

De acordo com a proposta defendida pelo Governo, será realizado um concurso para o preenchimento das vagas dos corpos docente (40) e discente (1.000). Na prática, a Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco (Chesf), Phillips, ABN Amro Bank e Organização Oderbrecht (instituições que investiram R$ 2 milhões na recuperação do prédio do GP) serão os gestores, em parceria com o Governo do Estado. O problema, segundo professores e alunos, é que, além de não ter sido apresentada antecipadamente e discutida com eles, a idéia foi imposta, contrariando as expectativas dos que fazem parte do ginásio. “Durante as discussões, enquanto lutávamos para que a Secretaria de Educação reformasse o ginásio, não nos disseram que os alunos e professores seriam desmoralizados com esse tipo de exclusão. Se essa posição não for revista, somos bem capazes de colocar as bancas na cabeça e ocuparmos a escola”, declarou Graça Bentzen, ex-diretora do ginásio.

O secretário de Educação defendeu a participação de empresas privadas no processo de reforma do ginásio, explicando que sem o investimento feito por elas a recuperação não teria sido possível. A justificativa foi questionada pelo deputado Paulo Rubem Santiago (PT). “Ao invés de firmar parceria com empresas privadas, o Governo poderia ter procurado esta Casa e solicitado a nós, parlamentares, que abríssemos mão de 20% da dotação orçamentária que cada um tem direito e, só aí, teria aproximadamente R$ 3 milhões. Dessa forma, seria financeiramente viável e não entregaríamos o ensino público nas mãos da iniciativa privada”, disse Santiago.

“O que o Governo quer”, disse o deputado Sérgio Leite (PT), que também participou da Audiência, “é fazer pirotecnia para mostrar na televisão, ao invés de atacar a essência do problema e apresentar propostas para serem discutidas e não impostas.” Ao final, os deputados criaram uma lista de discussões. Serão realizadas Audiências Públicas no Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco com os representantes do Conselho Estadual de Educação (Consed), o reitor da UFPE, Mozart Neves e representantes do Mestrado em Educação da UFPE, que tem vários estudos realizados sobre o assunto, incluindo uma tese de doutorado.

Para o presidente da Comissão de Cidadania, deputado João Braga (PV), o secretário pôde colher informações importantes sobre o sentimento da comunidade educacional do GP e poder analisá-los e trazer um novo posicionamento. “Foi discutida aqui não só a questão do ginásio, mas também a situação dos ensinos médio e profissional no Estado. Esperamos que esta tenha sido a primeira de uma série de discussões com o Governo e que possamos chegar a uma solução. Processo democrático é isso: trocar idéias para se chegar a um consenso e atender a todos”, concluiu.