A Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa reuniu-se, anteontem pela manhã, no Centro de Convenções de Petrolina, com prefeitos e secretários de Saúde das VIII e IX Diretorias Regionais de Saúde (Dires), para verificar a situação do setor nos l8 municípios do Sertão.
Os deputados Garibaldi Gurgel (PMDB) e Nelson Pereira (PCdoB) ouviram reivindicações e sugestões, incluindo-as no relatório final que será apresentado até 15 de dezembro. O documento será encaminhado ao Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e outras autoridades.
Entre os pontos mais importantes dos debates, destacam-se a necessidade de médicos recém-formados serem contratados para cumprir um ano ou mais no Interior como residentes; prefeituras unirem-se para custear, em rateio, salários “dignos” para profissionais de Medicina, experiência já feita com êxito em Palmares; padrões flexíveis para o Programa de Saúde da Família, atualmente um padrão nacional, sem atender às situações de cada região.
Todos os representantes dos municípios foram unânimes em reclamar do procedimento atual de levar doentes do Interior à Capital, enfrentando dificuldades no trajeto e até mesmo ameaça de assaltos. Os prefeitos, médicos, secretários municipais de Saúde criticaram ainda o atendimento a pacientes “de baixa complexidade”, conduzidos para o Recife simplesmente por falta de solução nos hospitais da região. Carência de equipamentos e veículos, especialmente ambulâncias, salários baixos, que não atraem profissionais de Medicina também foram apontados como problemas do setor.
Um exemplo do desinteresse dos profissionais é que um município conseguiu autorização da Secretaria da Saúde para contratar dois anestesistas e nenhum candidato apareceu, recusando salário em torno de R$ 1.300.00.
Genéricos – À tarde, o diretor geral do Procon/Pernambuco, Adalberto Arruda, coordenou reunião para discutir a política de pesquisa e dinamizacão do uso de medicamentos genéricos em Pernambuco. Depois, falou o gerente nacional de Regulação Econômica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Fernando José Batista, que veio de Brasília especialmente para o evento.
Ele lembrou que os genéricos surgiram há 30 meses, sendo que a aceitação popular é fato consumado, tanto que hoje estão registrados 2191 produtos na Anvisa, com 934 comercializados. Segundo ele, um resultado promissor.
Batista apresentou dados indicando diferenças de preços de até 200% em certos produtos. Hoje, 400 laboratórios operam no Brasil, contando com 55 mil farmácias, e os genéricos, em menos de três anos, contabilizam a conqusita de 8% do mercado.
O presidente da Comissão de Saúde, deputado Garibaldi Gurgel, nas suas considerações, afirmou que a difusão do uso dos genéricos em Pernambuco tem sido alvo de constantes debates nas reuniões da comissão na Assembléia Legislativa. O parlamentar acredita que a política de genéricos “é o instrumento adequado para garantir o acesso das classes de baixa renda aos medicamentos”.
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