Braga critica a falta de autonomia do Poder Legislativo, ao se despedir

Em 17/12/2002 - 00:00
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Depois de 12 anos no Poder Legislativo, totalizando três mandatos, o deputado João Braga (PV) despediu-se da Casa Joaquim Nabuco criticando a falta de autonomia do Legislativo para solucionar os problemas de Pernambuco. “Os mecanismos do Poder tolhem o deputado, a começar pela Constituição Federal, e isso nos incentiva, ainda mais, a apresentar emendas para modificações”, disse o deputado.

Braga lembrou ter dividido espaço com muita gente, aprendido e debatido com muitos parlamentares da Casa. No entanto, fez uma referência à imprensa pernambucana, que “pouco aproveitou desses debates”. “A imprensa se preocupa em mostrar os tropeços dos deputados, e não, os projetos, medidas e emendas importantes que são aprovados neste Plenário”, frisou João Braga.

O líder do PFL, deputado Augusto Coutinho, ressaltou a sua admiração pelo parlamentar. “Tive a oportunidade de acompanhá-lo no Executivo e agora no Legislativo. Pernambuco perde com a sua saída, pessoa digna e honrada. É lamentável não voltar para esta Casa. Vossa excelência dignifica a classe política”, lamentou Coutinho.

O deputado Bruno Araújo (PSDB) destacou que, até na hora da despedida, João Braga abre discussões importantes no Plenário. “O princípio legislativo precisa ser revisto. Nós apenas pegamos carona nos projetos do Poder Executivo. Tivemos convergências e divergências, mas sei que, agora, com a sua saída, não teremos pautas como antes para discutir em reunião plenária,”, disse Araújo.

Assim como o deputado Bruno Araújo, Gilberto Marques Paulo (PSDB) elogiou o trabalho de Braga na Casa e a importância do papel do deputado para o Estado, mas confirmou as dificuldades do Legislativo. Marques preferiu não se despedir da Assembléia. “Não tenho estrutura física para despedidas, mas honro a sua atitude”, afirmou Marques.

“Me despeço da Casa, onde acumulei idéias caras e importantes que foram derrubadas em Plenário ou comissões. Pelas circunstâncias digo aqui um adeus, mas a quem me permitir, digo um até breve”, concluiu Braga.