AL reverencia memória de Byron

Em 14/11/2002 - 00:00
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O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Romário Dias (PFL), fez, ontem, um longo e emocionado discurso em memória do ex-parlamentar Byron Sarinho. Ele lembrou do longo período em que conviveu com Byron, na Câmara Municipal do Recife e na Alepe. “Em 1985, eu deixava a Diretoria Geral do Incra e era substituído por Byron. Diferentemente do que acontece nesses casos, aquela substituição me deu muito prazer, porque caberia a um amigo, a um grande companheiro fazê-la. O Estado perdeu um grande político, e nós, um valioso amigo”, declarou.

Romário disse, ainda, que Byron manteve alguns dos diretores anteriormente nomeados por ele, e que essa postura era uma marca de sua personalidade. Em 1988, ambos concorreram a uma vaga na Câmara Municipal, sendo eleitos. “Byron sempre se preocupou em cuidar dos espaços vazios do Recife, bem como da ocupação do solo, além de ter participado da elaboração da Lei Orgânica do município, de forma brilhante”, acrescentou.

O presidente destacou a surpresa de todos, ao receberem a notícia da morte.

“Ninguém melhor do que ele testemunhava o quanto é bom viver. É incompreensível que tenha tomado essa decisão de tirar a própria vida.” Romário concluiu seu discurso recitando os versos: “‘Quando eu morrer, eu não quero ver este alarido que costumam fazer quando alguém morre. Uns desmaiam, uns gritam e outros correm, como se uma banda do céu houvesse caído. Quando eu morrer, não quero ser traído pelos discursos chatos que decorrem das saudosas palavras que socorrem a máscara metafísica de um fingido. Jamais quero que fiquem velando, em geral ficam logo comentando entre a viúva e os bens, a trem da sorte. Bebam e dancem a minha partida, pois se a morte acaba com a vida, outra vida começa com a morte”, declamou. Para Romário, “com certeza, outra vida começa com a morte de Byron Sarinho”.

Dignidade – Pernambuco perde muito com a ausência de um grande caráter, um grande companheiro, uma grande figura humana, o ex-deputado Byron Sarinho, que se destacava por sua dignidade, intrepidez e sentimento fraterno. A constatação é do deputado Gilberto Marques Paulo (PSDB), ao lamentar a morte do ex-deputado.

Marques Paulo recordou sua convivência com Byron ainda na Faculdade de Direito do Recife, quando era secretário da instituição e ele estudante, “uma pessoa fora do trivial, acima do bem e do mal, que teria uma conduta marcante como político e cidadão”. Daí assegurou que ficou profundamente chocado, “em clima de angústia e crise existencial”, após o comunicado da morte de Byron, “tanto que preferia não acreditar no fato”.

Antônio Moraes (PSDB), em aparte, lembrou das relações afetivas com Byron Sarinho, que tem familiares em Macaparana. Segundo ele, tratava-se de “um político firme, conciliador”, qualidades também destacadas por Nelson Pereira (PCdoB), que afirmou não ter convivência com Byron, mas conhecimento “de sua atuação em defesa de Pernambuco, da democracia e dos direitos humanos”.

O deputado Jorge Gomes (PSB) falou em nome da bancada de Oposição. “Byron era um homem de dimensão que ia muito mais além do que a própria Casa de Joaquim Nabuco. Como socialista, ele sempre defendeu a vida, a justiça social e, assim sendo, isso nos deixa consternados e serve para a nossa reflexão. Se ele defendia tanto a vida, e se há antagonismo entre a vida e a morte, qual o limite entre os dois?”, concluiu.

Velório – O corpo de Byron foi velado, na manhã de ontem, na Alepe, por familiares, amigos e políticos. Entre as autoridades presentes, estavam o vice-governador, Mendonça Filho, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, além de deputados e líderes políticos. À tarde, ele foi sepultado no Cemitério Parque das Flores.