Água de Jucazinho é imprópria

Em 28/06/2002 - 00:00
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Água de Jucazinho é imprópria A Comissão Especial para Análise da Água do Jucazinho entregou, ontem, o relatório final dos trabalhos desenvolvidos ao longo dos últimos sete meses. O documento resume os esclarecimentos, alternativas e sugestões para a melhoria da água distribuída para consumo humano no Agreste pernambucano.

Para o mentor e presidente da Comissão, deputado José Augusto Farias (PSB), os objetivos pretendidos foram alcançados em sua plenitude. “Ao mesmo tempo em que foram ouvidas as queixas diversas da população de Surubim e região, que recebe uma água de baixa qualidade, houve uma intensa participação de vários setores da sociedade”, disse.

Foram ouvidas, durante a apuração, instituições como a Universidade Federal de Pernambuco, Compesa, Vigilância Sanitária e Secretaria de Infra-Estrutura do Estado. Segundo Farias, o Ministério Público teve um “grande papel” para obtenção do resultado final, ao convocar os dirigentes das entidades implicadas na questão.

O relatório entregue aponta a água de Jucazinho como “muito salubre e imprópria” para o consumo humano. “Os exames realizados, desde o ano, passado comprovam a má qualidade. A mistura com a água da Barragem de Palmeirinha resolve parcialmente a questão, mas é preocupante a possibilidade de estiagem, já que Jucazinho é cinqüenta vezes maior do que Palmeirinha”, colocou o deputado.

O relator da Comissão, deputado Nelson Pereira (PCdoB), destacou a não- aceitação da população atendida com a água do Jucazinho. “Os níveis de salinidade são muito altos, o que fez com que os mais de 700 mil habitantes abastecidos com aquela água rejeitassem o seu sabor”, informou o parlamentar.

Pereira ressaltou a necessidade de se diminuir a salinidade da água e de se promover uma prevenção do assoreamento.

Para resolver os problemas detectados na água de Jucazinho, foram sugeridas diversas soluções. A implantação de sistemas de esgotamento sanitário de resíduos sólidos nos municípios situados na bacia hidrográfica da barragem, o reflorestamento na montante do reservatório e o abastecimento da cidade de Caruaru sem misturar com a água de Jucazinho foram medidas sugeridas para serem tomadas em curto prazo.

A médio e longo prazo, o relatório aponta a necessidade de se construir barragens de contenção de sais sobre os afluentes da bacia hidrográfica, bem como a instalação de uma adutora partindo da Barragem de Itaparica e ainda de dessalinizadores em poços perfurados nas áreas de abrangência do sistema de Jucazinho.

“Algumas mudanças já ocorreram, mas é preciso que façamos sempre o nosso papel de fiscalizar, fomentar idéias e cobrar resultados. A população que pediu reconhece o esforço”, concluiu o presidente da Comissão, José Augusto Farias.