CPI encontra garrafões irregulares

Em 03/05/2002 - 00:00
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CPI encontra garrafões irregulares Parlamentares integrantes da CPI da Água Mineral constataram irregularidades em blitze realizada ontem na empresa Polígono, localizada em Abreu e Lima.

Contrariando determinação da legislação sanitária, foram encontrados dezenas de garrafões de 20 litros fabricados com plástico reciclado, o que coloca em risco a saúde dos consumidores de água. Também foram achadas embalagens de 500 mililitros de material reaproveitado e dezenas de sacos com plástico reciclado triturado.

Os deputados Sérgio Pinho Alves (PSDB), presidente da CPI e Sérgio Leite (PT), relator, confirmaram o flagrante depois que o delegado Roberto Lira, que dá assessoria à Comissão, esteve com sua equipe na Polígono pela manhã e ao simular uma compra de garrafões recebeu a oferta de recipientes reciclados por um preço mais barato. “Só pode ser usado plástico 100% virgem, sob pena de prejudicar a saúde dos consumidores”, lembrou Pinho Alves.

A CPI acionou a Vigilância Sanitária Estadual que acompanhou a blitz e constatou também, segundo Sérgio Leite, que a empresa estava com a licença de funcionamento vencida. Mesmo com a confirmação do flagrante, inclusive com nota fiscal de compra, as duas fiscais da vigilância se limitaram a fazer a notificação da empresa e a interdição cautelar apenas do material apreendido, de onde foram retiradas amostras para análise pelo Laboratório Central (Lacen).

Diante da negativa de interditar as máquinas da Polígono, Pinho Alves antecipou que vai convocar as duas fiscais Mariluce de Lima Melo e Ina Maria Vieira de Aquino para prestarem esclarecimentos, em depoimentos na próxima quinta-feira na CPI. “Infelizmente temos constatado falta de boa vontade de fiscais da Vigilância Sanitária, o que já comunicamos à direção do órgão fiscalizador e continuaremos atentos para apurar as irregularidades e cobrar punição dos responsáveis “, afirmou Alves.

Também devem ser convocados para depor os responsáveis pela empresa. O gerente, que não quis se identificar, admitiu o uso de material reciclado, mas justificou que a maioria é para fabricação de baldes, o que é permitido.

Os deputados também visitaram a empresa Bisa em Igarassu, onde recolheram amostras de garrafões para análise. Como o recipiente virgem da Bisa é vendido por R$ 3,00 e o reciclado da Polígono por R$ 3,15, os deputados suspeitam que a Bisa também utiliza plástico reaproveitado. As amostras colhidas pela CPI serão analisadas pelo Instituto de Criminalística. “Tudo que estamos apurando será apresentado ao Ministério Público que deverá tomar as providências cabíveis junto à Justiça”, concluiu Leite.