O reajuste de 60% nos subsídios do governador e vice-governador foi tema do pronunciamento do deputado Sérgio Leite (PT). Ele questionou o índice, comparando-o com o concedido aos servidores. “Na primeira votação, não consegui chegar a tempo, mas hoje (ontem) votei contra. Discordo do alto índice definido. O reajuste deveria ter sido calculado de acordo com o que é concedido aos funcionários estaduais”, defendeu o petista.
O deputado disse, ainda, que os servidores estão passando por “uma situação difícil, devido ao arrocho salarial e ao cancelamento de algumas vantagens”, e que o governador deveria rejeitar a proposta de reajuste apresentada pela Alepe. “Enquanto os funcionários estaduais estão presos a dívidas com agiotas e descontos em folha, o governador e o vice têm um aumento de 60%. É vergonhoso”.
O pronunciamento gerou muitos apartes. O deputado Antônio Moraes (PSDB) disse que Leite “tem memória curta”, ao esquecer que, ao assumir a Prefeitura do Recife, João Paulo (PT) concedeu um aumento de 50% aos secretários e de apenas 6% aos servidores. “Seria bom que não fosse tirado proveito de questões como essas. Nem política e nem partidariamente. Se o prefeito e a Assembléia concedem esse índice de aumento, é porque fica difícil contratar bons técnicos com salários mais baixos”, defendeu Moraes.
O líder de Governo, deputado Roberto Liberato (PFL), posicionou-se, a favor do aumento salarial. “É visível que a remuneração desses cargos está defasada. No entanto, também é necessário rever um reajuste para os servidores”.
Outros deputados se dividiram sobre o posicionamento de Leite. Nelson Pereira (PCdoB) apoiou, João Negromonte (PMDB) discordou e Pedro Eurico (PSDB), além de discordar, lembrou que os policiais tiveram reajustes salariais maiores do que os 4% concedidos aos demais servidores e, “quanto a isso, Sérgio Leite não questionou”. Já Paulo Rubem (PT) apoiou Leite. “O mesmo governador que tem um projeto que reajusta seu salário não enviou nenhuma previsão orçamentária para reajustar os salários dos servidores, nem explicou de onde virão os recursos para esses reajustes, como prevê a LRF. Por mais governistas que sejam, é preciso cumprir as leis”.
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