AL debate união entre gays A veiculação de fotos, em vários jornais do Sudeste, do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) exibindo a bandeira dos grupos gays e sua declaração favorável à união civil estável entre homossexuais, recebeu reprovação do deputado Manoel Ferreira (PPB). A posição de FHC está contida no Plano Nacional de Direitos Humanos e foi motivo de muita polêmica ontem, na Assembléia Legislativa.
Protestando contra a posição de FHC e revelando surpresa em nome de todos os segmentos evangélicos, Ferreira, lamentou com ironia: “Com tanta coisa a fazer, FHC aprovar essa união, quando a sociedade derrotou os projetos nesse sentido.
Nós sentimos que o presidente da República aparece a contragosto com a bandeira do movimento gay. Parece ser a única saída dele na busca de apoio ao candidato do Palácio. FHC está deslizando em área que pertence já ao PT. Ele estava decaindo e agora vai decair mais. Mal pode sustentar a bandeira dos gays”.
O deputado Pedro Eurico (PSDB) saiu em defesa das minorias exploradas que deverão ser contempladas no pacote de direitos humanos encaminhado pelo presidente. “O presidente avança assumindo compromisso com as minorias que não têm vez nem voz. Nunca foi feito tanto quanto neste Governo em matéria de direitos coletivos, sociais em respeito às pessoas como no caso de regularizar as relações estáveis de convivência entre pessoas do mesmo sexo”, afirmou Eurico.
Sobre o posicionamento contrário de Ferreira, Eurico classificou como “sanha fascista histérica”. Ele lembrou que coube ao primeiro-secretário, João Negromonte (PMDB), apresentar projeto de lei visando garantir direitos aos participantes de uniões civis estáveis. “Lamentavelmente esta Casa reagiu de forma preconceituosa”, ressaltou Eurico, referindo-se à rejeição, pela Comissão de Constituição, Legislação e Justiça, da proposição de Negromonte.
Segundo Eurico, a posição de FHC se sintoniza com o que há de mais correto na luta dos direitos humanos. O deputado dirigiu apelo para que seus colegas rompam com os preconceitos e aprovem o projeto de Negromonte. Eurico disse ainda que não defende a família quem se coloca contra novos estágios da sociedade. “Não cabe retrocesso neste tema”, concluiu.
O líder do PSB, deputado Carlos Lapa também colocou-se totalmente contra a medida de FHC. Em resposta a Eurico, o parlamentar disse não se tratar de uma questão de preconceito, mas sim de obediência a moral familiar. “Essa é uma Casa democrática e não permitirá a destruição da família. Os representantes sérios do parlamento devem defender a dignidade, a nação, e isso não significa legalizar a união entre homossexuais”, opinou Lapa.
O deputado disse que tal medida é mais um posicionamento infeliz do Governo Federal. “O Brasil precisa de trabalho em defesa do emprego, da igualdade, da justiça social. Precisamos combater a miséria, não de sugestões imorais de um presidente trapalhão”, disparou o parlamentar.
O deputado Israel Guerra (PSDB) também discordou do pronunciamento de Eurico.
Guerra analisou ainda o anúncio do Plano Nacional dos Direitos Humanos e concluiu que FHC agiu de forma equivocada ao focar todas as atenções para a legalização das uniões homossexuais, ao invés de destacar pontos “mais importantes” do Plano.
“Este é um Plano muito importante para o País, que vai repercutir de forma positiva, sobretudo no próximo ano, na gestão do novo presidente. Assim sendo, é lamentável que o presidente ignore que a população brasileira é carente de políticas sociais, de segurança e habitacionais, e destaque a união de pessoas do mesmo sexo”, justificou o parlamentar.
COMO CHEGAR