O deputado Sérgio Pinho Alves (PSDB) considerou graves os novos fatos revelados pelo ex-diretor administrativo e financeiro da Empresa de Obras de Paulista (Emsurp), Raíldo Correia, que, em entrevista, ontem, na Rádio Olinda, revelou detalhes dos indícios do uso indevido dos recursos públicos. “Raíldo confirmou que presenciou em 2001, o diretor de compras da Emsurb, Manoel Simplício, sacar e entregar ao prefeito Antônio Speck (PMDB), nada menos do que R$ 320 mil, isto é caso de polícia, crime contra o patrimônio público”, afirmou o parlamentar.
Pinho Alves confirmou que esteve no Tribunal de Contas do Estado e vai ao Ministério Público solicitar empenho nas investigações para que as denúncias sejam esclarecidas. “Acredito que é caso para a Polícia Civil designar um delegado especial, porque o prefeito foi desmentido, já que tinha dito que não conhecia o diretor administrativo e financeiro por ele mesmo nomeado”, disse o tucano.
Em aparte, o líder do PMDB, deputado Hélio Urquisa, disse que Pinho Alves, como parlamentar que representa Paulista, não poderia se omitir uma vez que chegou ao noticiário a informação de que o diretor emitia e endossava os cheques que eram entregues a um emissário ou diretamente ao prefeito. “No canhoto dos cheques, o diretor da Emsurb anotava nomes de empreiteiros, o que configura uma falsidade ideológica”, ressaltou Urquisa, acrescentando que, mesmo assim, espera o esclarecimento completo dos fatos quando o caso chegar à Justiça.
“Preocupa-me porque muitas denúncias não se confirmam e só na Justiça quem for podre que se quebre”, concluiu.
Também em aparte, Sérgio Leite (PT) afirmou não dava para aceitar que dos R$ 4,1 milhões do orçamento da Emsurb, R$ 2 milhões foram desviados e o prefeito não sabia de nada. “Só acreditando em Papai Noel ou Saci Pererê para acreditar, pois trata-se de um caso claro de formação de quadrilha”, completou.
Pinho Alves alertou que as CPUs dos computadores da Emsurb foram trocados, o que vai comprometer as investigações. Disse, ainda, que existem indícios de que foram usados recursos públicos no financiamento da campanha do vice-prefeito, Nena Cabral, que tentou mas perdeu a eleição para deputado estadual.
“Outro grande problema é a indicação da funcionária Ângela Paula, representante da administração municipal na comissão de fachada criada para investigar o caso e, ao mesmo tempo, ser beneficiária da montagem de cartas-convite para obras”, concluiu.
COMO CHEGAR