A mudança de critérios – de políticos para técnicos – nas escolhas dos diretores das Dires (Diretorias Regionais de Saúde) provocou um verdadeiro rebuliço na base governista. O tema foi levado ao Plenário pelo deputado Sílvio Costa (PMN), que é da bancada de Oposição.
Segundo ele, a mudança foi anunciada durante reunião no Palácio entre o governador Jarbas, o secretário Guilherme Robalinho e os líderes dos partidos que compõem a bancada do Governo na Alepe “O secretário está certo, do ponto de vista técnico, mas coloca em situação difícil os governistas que, possivelmente, já se comprometeram com algumas pessoas para os cargos”, lembrou Costa.
Pedro Eurico (PSDB) saiu em defesa do Governo, e disse que Jarbas está fazendo “uma mea culpa ao corrigir algo que não correspondeu às expectativas, que foram as indicações políticas para os referidos cargos”. Costa questionou a defesa feita por Eurico. “Se os critérios técnicos de Robalinho estão corretos, então os critérios políticos de Mozart Neves estão errados. Sendo assim, Jarbas vai ter que demitir um dos dois”, ironizou.
Teresa Leitão (PT) disse que a opção por critérios técnicos deveria se estender às DREs (antigas Deres – Diretorias Regionais de Educação) e criticou duramente o Governo. “Se o governador quisesse mesmo fazer uma mea culpa, iria aos jornais e reconheceria que as indicações feitas anteriormente pelos deputados não corresponderam às expectativas”, apontou.
Os deputados Alf (PDT) e Roberto Leandro (PT) também criticaram o Governo.
“Acho até que esse critério deveria se estender não apenas às outras secretarias, mas também às assessorias especiais do governador, cujo quadro hoje é formado, e sua maioria, por ex-deputados que não conseguiram se eleger”, atacou Leandro.
As críticas continuaram com os petistas Sérgio Leite e Isaltino Nascimento. “A realidade é que esses critérios técnicos nunca foram respeitados. Espero que, pelo menos, o Governo respeite o compromisso assumido com os deputados”, disse Leite, numa aparente defesa aos governistas. Em resposta, Antônio Moraes (PSDB) disse que o PT não tinha condições de falar sobre indicações, “pois o mesmo está acontecendo em nível federal”.
Para Costa, o Governo dividiu os deputados em duas classes. “Agora, vai existir o deputado de primeira classe, que vai continuar indicando, e o de segunda classe, para quem os critérios técnicos vão imperar”, disse.
Base – Porém, os posicionamentos mais duros não partiram dos deputados oposicionistas, como se esperava, mas de parlamentares da base de apoio ao Governo. “Que critério é esse, que muda de político pra técnico? Isso é um desrespeito com os deputados que esperaram pacientemente que os critérios políticos fosse definidos e assumiram compromissos com algumas pessoas. Não quero culpar o secretário A, B ou C, porque quem governa é o governador”, frisou Augusto César (PSDB).
O vice-líder do Governo, Ricardo Teobaldo (PMDB), disse que concordava com os novos critérios adotados, mas não entendia como ia ficar a situação dos diretores indicados na gestão passada. Já o oposicionista Izaías Régis (PSB) questionou o fato de Robalinho defender a indicação “técnica”. “Ele nomeou um ladrão para dirigir o Hospital Dom Moura de Garanhuns e só voltou atrás depois de receber várias denúncias. Ainda assim, o indicou para outros cargos. Que critérios são esses?”, indagou Régis.
Outro aparte duro partiu do governista Fernando Lupa (PSDB). Ele disse que por suas mãos não foi indicado nenhum diretor, de nenhum órgão, mas que se sentia solidário com os colegas. “Essa mudança de critérios é inaceitável. Não podemos ficar aqui como lagartixas, balançando a cabeça para tudo que o Governo faz”, declarou.
Pedro Eurico acusou a Oposição de “usar da emoção” para criticar Jarbas. “O governador provocou uma rebelião de forma impensável ao estabelecer critérios para ocupar os cargos públicos”. Para ele, não é a indicação de “a” ou “c” que vai fazer com que o parlamentar tenha representatividade junto às bases, mas sim sua atuação. “Os deputados não perdem prestígio e nem deixam de existir”, alegou.
Para Betinho Gomes (PPS), o povo é quem sofre com esse tipo de “picuinha”. “O Governo vai levar ao povo o que ele precisa, que é saúde e educação. Querem gerar uma crise na base governista”, denunciou Betinho.
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