O impasse entre professores da rede pública municipal de ensino de Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste do Estado, foi denunciado, ontem, pelo líder do PT, deputado Isaltino Nascimento. “Desde fevereiro, o Sindicato dos Professores (Sinpro) vem tentando chegar a um acordo com o prefeito José Augusto Maia (PMDB) e a Secretaria Municipal de Educação, mas não houve avanço. Os professores ameaçam entrar em greve, a partir desta quinta-feira, e, mais graves ainda, são as denúncias de perseguições a professores e de irregularidades que estariam sendo praticadas pela prefeitura. Entre elas, estão o corte de salários, transferências de professores e o uso indevido dos meios de comunicação para ameaçar e denegrir a imagem da categoria”, criticou.
De acordo com o parlamentar, o prefeito teria agredido moralmente algumas professoras, durante entrevista numa rádio local. Ainda segundo o deputado, estariam acontecendo ameaças aos recém-concursados. “A secretária de Educação, Maria do Socorro Ferreira, tem usado o estágio probatório como intimidação. Os professores convivem com salários defasados, acumulando uma perda de 29%, falta de material didático e ausência quase total de capacitação. A merenda é insuficiente e de péssima qualidade. Não há transporte escolar, e a secretaria também se nega a implantar o sistema de eleição direta para diretores das escolas municipais”.
Líder do PSDB, o deputado Pedro Eurico disse que o assunto deveria ser analisado com profundidade, assim como um fato ocorrido há 20 dias, no município de Brejo da Madre de Deus, localizado também no Agreste. “Lá, o vereador Francisco de Assis (PT), conhecido como ‘Chico do Sindicato’, pegou três capangas e, por causa de uma discussão política, atacou com um cabo de ferro o secretário de Obras, Abel Cavalcante. Foram constatadas lesões de natureza grave e já pedimos abertura de inquérito para apurar o caso. A Polícia Civil não tomou as atitudes cabíveis, assim, peço providências.” Isaltino defendeu Assis, dizendo que ele “era vítima de perseguição política por denunciar irregularidades na prefeitura”. O deputado ainda citou outro episódio ocorrido em Ouricuri, no Sertão do Estado, onde o vereador Manoel dos Remédios (PSDB) acabou sendo assassinado. “Ele veio nos pedir garantia de vida, pois estava sendo ameaçado, desde que denunciou irregularidades na administração municipal. Infelizmente, acabou sendo morto.” Defesa – O peemedebista Antônio Figueirôa defendeu o prefeito de Santa Cruz do Capibaribe José Augusto. “Ele é uma pessoa de diálogo e deveria ser ouvido. Dos professores de Santa Cruz, quem está aqui é a minoria. No município, pagam-se os melhores salários – R$ 330,00 para o ensino fundamental e R$ 554,00 para os professores do ensino médio”, declarou.
Isaltino propôs a ida de uma comissão parlamentar ao município para resolver o assunto e recebeu apoio dos deputados Augusto Coutinho (PFL) e Roberto Leandro (PT). A vice-líder do PT, Teresa Leitão, prestou solidariedade ao vereador Francisco de Assis e criticou as diretrizes do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef). “O Governo Fernando Henrique não só distorceu a proposta do movimento sindical, como também não cumpriu com o Fundef. Sabemos que seria possível pagar aos professores de todo o País salários de R$ 770,00, para um trabalho de 40 horas semanais, das quais 20 seriam em sala de aula e o restante, na preparação didática. Na próxima segunda-feira, haverá um Grande Expediente Especial para discutir a queda no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Sugiro, então, que também seja discutida a utilização do Fundef, que, em muitos municípios, vem sendo feita de maneira irregular.”
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