O presidente da Comissão de Saúde, deputado Sebastião Oliveira Júnior (PFL), lembrou, ontem, os sete anos da Tragédia da Hemodiálise. O caso – que teve repercussão internacional – foi resultado da contaminação da água usada em pacientes renais pela toxina Microcystina LR, provocando mortes e seqüelas graves em 126 pacientes de Caruaru e de outros municípios do Agreste. Durante o pronunciamento, o parlamentar alertou para os riscos de a população estar consumindo água com altas concentrações de cianobactérias, que liberam as toxinas quando mortas. “Visitei reservatórios recentemente e, em dois, confirmei a existência de grandes concentrações das cianobactérias, o que exige uma ação imediata dos gestores públicos para o devido tratamento da água”, afirmou.
Sebastião Oliveira Júnior destacou, ainda, que as condições ambientais do final do verão, como em fevereiro de 1996, com temperaturas quentes, boa luminosidade, baixos níveis de água e a existência de resíduos de agrotóxicos, estimulam a procriação das cianobactérias, que liberam a toxina fatal quando em contato com a corrente sangüínea. De acordo com o deputado, ao ingerir a água com a toxina, o paciente fica sujeito a ter diarréias, que comprometem seu organismo, mas o risco de morte só é grande quando o contato se dá por via sangüínea.
“Existem duas histórias: antes e de depois da Síndrome de Caruaru, como ficou mundialmente conhecida a hepatite fulminante que atingiu os pacientes renais crônicos tratados nas clínicas de hemodiálise na cidade”, ressaltou o deputado, explicando que ocorreram mudanças significativas na legislação, tornando mais rígidas as exigências para o funcionamento das clínicas de diálise e a responsabilidade dos seus diretores por danos à saúde dos doentes.
Oliveira Júnior elogiou a atuação do então secretário estadual de Saúde, Jarbas Barbosa, que “tomou as devidas providências”, desde a morte do primeiro paciente, em 20 de fevereiro. Lembrou o trabalho da bióloga Sandra Azevedo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que, juntamente com um pesquisador da Universidade de Ohio (EUA), descobriu a presença das toxinas na água e no sangue dos pacientes. E ressaltou, também, a ação das equipes médicas do Hospital Barão de Lucena, coordenadas pelo hepatologista Vitorino Spinelli, que fizeram o possível para tratar as vítimas, após a transferência para o Recife.
O deputado recordou que o seu companheiro de partido, Roberto Liberato, denunciou o caso, e a Assembléia Legislativa fez a sua parte instalando a CPI da Hemodiálise. “Não estamos aqui para julgar o mérito, para apontar culpados ou inocentes, mas para lembrar que o assunto não está defasado, já que muitas vidas foram salvas após a tragédia de proporções mundiais, devido à melhoria dos serviços de diálise”, afirmou Sebastião Oliveira Júnior.
Apartes – Quatro deputados apartearam Oliveira Júnior. Liberato lembrou que a Alepe deu resposta à sociedade, contribuindo com as investigações através da CPI presidida por Romário Dias (PFL), atual presidente da Alepe. O deputado Antônio Figueirôa (PMDB) solicitou empenho do presidente da Comissão de Saúde para cobrar fiscalização nos reservatórios de água do interior. O líder do PDT, José Queiroz, afirmou que Oliveira Júnior expôs e resgatou o assunto, evitando o sensacionalismo.
Romário Dias também usou a tribuna de aparte para recordar o caso. Ele afirmou que “a tragédia não pode ficar esquecida, e os culpados precisam ser punidos”.
O presidente disse, ainda, que, graças ao trabalho da Assembléia Legislativa, no período na CPI, a questão foi tratada com a devida atenção. Ele ressaltou que a Casa Joaquim Nabuco tem cumprido com o seu papel e merecido a confiança que a sociedade depositou nos seus representantes, por meio do voto.
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