Produtores avícolas do sul estão praticando o “dumping” (queda dos preços), fato que está prejudicando os empresários nordestinos do setor. E, o mais grave, e que algumas empresas enviam carne de frango com teor de hidratação acima do recomendado pelo Ministério da Agricultura, em flagrante prejuízo à saúde da população.
A denúncia partiu do deputado Antônio Moraes (PSDB), ao focalizar a situação do mercado avícola e as carências do Nordeste para competir com os sulistas. Ele vê uma clara prática de comércio ilegal, em que empresas do Sul do Brasil colocam na praça nordestina “encalhes de exportações previstas e não realizadas”.
Ao abordar o problema, Moraes fez referência a declarações de Clóvis Puperi, diretor da União Brasileira de Avicultura (UBA), em matéria veiculada no Jornal do Commercio, no dia 4 deste mês. O parlamentar repeliu as afirmações de que o Nordeste teria de produzir a ração de que necessita e ainda “teve o desplante de dizer que em 2003 não faltará milho no Brasil”.
Moraes considera o posicionamento de Clóvis Puperi “infeliz, de má intenção com o setor avícola local ou pleno desconhecimento da situação do Nordeste”. E lembrou que, “apesar das adversidades climáticas, produzimos no ano passado 2,46 bilhões de ovos e 661 toneladas de carne de frango”.
O deputado tucano louvou a atitude da Associação Avícola de Pernambuco (Avipe) por seu desligamento da UBA, revoltada com as declarações de Puperi, “as quais só atrapalham o desenvolvimento do setor local”. Mas ao mesmo tempo, defendeu soluções que evitem a crise de abastecimento de milho para os produtores e lembrou que no ano passado 162 granjas de frangos e poedeiras encerraram suas atividades, gerando desemprego com reflexo direto sobre 17.670 trabalhadores.
Moraes revelou a existência de um projeto de sorgo granífero e girassol resultante de parceria entre a Avipe, Governo estadual e empresários de sementes, adubos e banqueiros. E defendeu, de imediato, que se parta “para os produtos transgênicos, especialmente milho e soja, a fim de alimentar o plantel avícola. Moraes sugere, inclusive que a Comissão de Agricultura da Alepe debata o assunto.
Debates – Quatro deputados apartearam Moraes. Todos destacaram a importância do debate como perspectiva de melhorar a oferta de milho para o crescimento da avicultura, mas divergiram em relação aos riscos do consumo dos alimentos geneticamente modificados. Enquanto Sebastião Oliveira Júnior (PFL) defendeu o uso do milho transgênico, assegurando que as transformações deixam o alimento mais resistente às pragas, Teresa Leitão e Isaltino Nascimento, ambos do PT, se posicionaram contra, alegando que é preciso estimular a produção para segurar o homem no campo.
Oliveira Júnior cobrou do líder da Oposição, Sérgio Leite (PT), a criação de uma força tarefa “para ir além da distribuição de cestas básicas e receber os transgênicos”. Teresa disse que a questão não poderia ser tratada com ingenuidade e afirmou que o programa Fome Zero já tem como cordenador, no Estado, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Recife, Francisco Oliveira. Fernando Lupa (PSDB) defendeu a avicultura como alternativa econômica para o Sertão.
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