O posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticando o excesso de corporativismo do sindicalismo brasileiro, continuou repercutindo, ontem, na Assembléia Legislativa. O líder do PSDB, deputado Pedro Eurico, registrou sua satisfação pelo pronunciamento “lúcido” do presidente e lembrou que ele foi um dos responsáveis pelo restabelecimento da democracia no País. De acordo com o parlamentar, Lula deixou claro que o Brasil não pode mais conviver com um sindicalismo dos anos 40, de princípios corporativistas.
Ao criticar a bancada petista, quase toda de origem sindical, Eurico lembrou que, na Oposição, os deputados reclamaram muito quando o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) propôs, no ano passado, o reajuste de 4% para os servidores.
“Gostaria de saber qual a posição dos deputados do PT, agora, que o ministro do Planejamento, Guido Mantega, anunciou os mesmos 4% como reajuste máximo para o funcionalismo federal e de 2,5% de forma linear”, cobrou Eurico.
O tucano afirmou que ao contrário do que diz o líder da Oposição, deputado Sérgio Leite (PT), algumas categorias tiveram no Governo de Fernando Henrique Cardoso aumento significativo de salário, como os policiais federais, que acrescentaram 1.378% aos seus vencimentos.
Em aparte, o deputado Sílvio Costa (PMN) lembrou que, anteontem, trouxe o mesmo assunto à tribuna, solicitando um Voto de Aplausos ao presidente. “A realidade venceu a ilusão”, afirmou Costa, lembrando que, na campanha de 2000, o atual prefeito do Recife, João Paulo (PT) prometeu construir 40 mil casas e, após dois anos muito pouco foi feito.
Leite, também em aparte, disse que Eurico “perdeu a noção política do seu papel quando saiu do campo da esquerda e foi para a extrema direita defender as teses neoliberais de Fernando Henrique Cardoso”. Segundo o petista, Eurico estava “distorcendo os fatos para confundir a opinião pública”. Leite justificou que as dificuldades que o Governo Lula enfrenta são frutos da herança recebida do Governo de FHC. O líder do PSDB rebateu, acusando o petista de fazer “demagogia simplória”.
A deputada Teresa Leitão (PT) em aparte, recordou que Eurico estava provocando, chamando-a de defensora do corporativismo estéril. Após afirmar que não se preocupava com as avaliações do tucano, Teresa lembrou que Lula é originário do sindicalismo cutista de 1983, que tem responsabilidades como presidente e com o seu Governo. “Temos espaço no partido para debater adequadamente todas essas questões e não podemos aceitar que se cobre dos 58 dias do Governo Lula o que não se cobrou dos oito anos de FHC”, completou a parlamentar.
Eurico cobrou coerência dos petistas que, segundo ele, eram contra as reformas agora defendidas pelo Governo Lula e exigiu que “respeitasse o Governo democrático de Jarbas Vasconcelos”. Em aparte, o deputado Fernando Lupa afirmou que os petistas não deveriam ficar “jogando para a platéia” e previu que a atual Oposição federal será propositiva e construtiva.
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