Pela segunda vez este mês, a deputada Ceça Ribeiro(PT) ocupou a tribuna para fazer uma denúncia contra “o conflito fundiário envolvendo o Grupo Empresarial João Santos, a Polícia Militar de Pernambuco e trabalhadores rurais da Comissão Pastoral da Terra”. De posse de um extenso dossiê, a parlamentar fez uma síntese do problema que, segundo ela, teve início no dia 25 de março, quando “o 2º Batalhão da PM escoltou tratores e empregados da Usina Santa Tereza para destruir lavouras dos trabalhadores acampados há seis anos no Engenho Prado, em Tracunhaém”.
O presidente da Casa, deputado Romário Dias (PFL), sugeriu que a Assembléia convidasse o secretário de Produção Rural e Reforma Agrária, Gabriel Maciel, e o superintendente do Incra, João Faria, a fim de discutir o assunto. “Como já fui superintendente regional do Incra, sei que não é competência estadual legislar sobre desapropriação de terras, mas podemos intermediar as negociações e chegar a um consenso”, declarou Romário.
A deputada disse que “os tratores, com escolta policial militar sob o comando do coronel Matos, invadem as lavouras pertencentes aos trabalhadores acampados no Engenho Prado, destruindo as plantações, enquanto um grupo de empregados da Usina Santa Tereza, do Grupo João Santos, aplica herbicida de grau de toxicidade desconhecido sobre as lavouras”. Ainda segundo Ceça Ribeiro, os PMs estavam “em posição de combate e utilizavam fuzis e uma metralhadora”. Ela disse que já encaminhou cópia dos documentos comprovando as denúncias a todos os órgãos competentes, e nenhuma providência foi tomada.
A deputada informou que, como representante do povo e tendo sido por ele eleita, é seu dever defender essas pessoas. “Os trabalhadores estão sendo tratados como marginais, e isso eles não são. Gostaria de acrescentar que o que acontecer naquele engenho a partir de hoje é culpa de todos nós que fazemos o Governo, independente de partidos, porque há dois meses denuncio isso, e nada foi feito”, concluiu.
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