Cidadania investiga morte em Ouricuri

Em 09/08/2003 - 00:00
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Ouricuri – O assassinato do vereador Manoel Messias Ribeiro (sem partido) foi o tema da audiência pública promovida pela Comissão de Defesa da Cidadania, ontem, no município de Ouricuri, no Sertão do Estado. A visita foi slicitada pela Associação de Vereadores do Araripe, com o objetivo de agilizar a apuração do fato.O aumento da criminalidade na região também foi discutido pelos deputados, vereadores, representantes das polícias e do Judiciário que participaram da reunião.

Manoel Messias foi morto no último dia 12 de julho, com cinco tiros, quando estava na Farmácia Pereira, no centro da cidade. Segundo o delegado titular de Salgueiro, Moari Pimenta, responsável pelo caso, a polícia vai precisar de maior de investigação, pois o crime teria sido praticado “sob encomenda”.

Para o vereador Ivo Gomes (PT), o assassinato teve conotação política. “Manoel não tinha inimigos e vinha denunciando irregularidades na administração municipal há muito tempo. Ficou claro que esta é uma tentativa de calar o Legislativo”, avaliou Gomes. O presidente da Câmara de Vereadores de Ouricuri, Juarez Coriolano (PSDB), ressaltou que a cidade possui uma tradição de paz e ordem que foi quebrada pelo assassinato de Messias. Já o representante da OAB, o advogado Marcos Torres, a execução do vereador é um reflexo da violência no Araripe.

O presidente da comissão de Defesa da Cidadania, deputado Roberto Leandro (PT), afirma não ter dúvidas de que o crime foi político.”A comissão vai exigir, ao lado da população da cidade, a punição do mandante e dos executores do vereador Manoel Messias”, assegurou.

Abandono – Vários moradores de Ouricuri chegaram a apontar como mandante o prefeito da cidade, Biu Ramos (PSDB). O chefe de gabinete do prefeito, Carlos Patu, repudiou as declarações. “Trata-se de uma exploração político-eleitoreira do caso, liderada por aproveitadores que só cultivam o ódio”, enfatizou o assessor.

Além de protestar contra a morte de Manoel Messias, populares criticaram a falta de policiamento na cidade. O comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar, Major Reinaldo, respondeu que, apesar do efetivo limitado, o Araripe ainda é a mais tranqüila entre todas as regiões do Estado. “Uma de nossas metas é reforçar o policiamento motorizado nas áreas mais perigosas da cidade”, antecipou o comandante. Mas as queixas quanto à falta de segurança não se limitam aos moradores. Representantes do Judiciário e do Ministério Público também pedem o apoio das polícias para poderem exercer suas atividades .

A juíza titular da Comarca de Parnamirim, Jussara Figueiredo, acrescentou que os representantes do Judiciário e do Ministério Público, no Araripe, recebem pouco apoio das cúpulas dessas instituições. “Espero que a Assembléia ajude o Estado a lembrar-se do Sertão, que está abandonado”, pediu a juíza. O deputado Isaltino Nascimento (PT) informou que vai oficiar o Tribunal de Justiça de Pernambuco sobre o fato, pedindo mais recursos e equipamentos para o Judiciário da região. Nascimento também encaminhou ao delegado responsável pela apuração do caso comunicados e um pedido de garantia de vida escrito por Manoel Messias, um mês antes de sua morte.O deputado Raimundo Pimentel (PSDB) resumiu o sentimento da população de Ouricuri declarando que a sociedade do Araripe foi agredida. “Meu compromisso é com a paz e Justiça em Ouricuri. Vamos comunicar ao secretário de Defesa Social todos esses fatos e pedir maior empenho na segurança da região”,concluiu.