A estréia do deputado Raul Henry (PMDB) na Casa Joaquim Nabuco causou polêmica entre os parlamentares da Oposição e do Governo O pemedebista criticou a falta de mudanças no Governo Lula e elogiou a administração do Governo Estadual.
Ocupando o grande expediente, Raul Henry foi interrompido várias vezes por apartes de oposicionistas e governistas.
Segundo Henry, é importante ter à frente do País um lutador. No entanto, os elogios pararam por aí. Citando a política adotada pelo atual governo, com a alta dos juros, o valor do salário mínimo e a interferência do Executivo na eleição do Congresso Nacional, Henry fez um resumo: “Isso serve para mostrar que fazer oposição é uma coisa, e administrar é outra”, ironizou.
Por outro lado, ele destacou o Governo estadual. As obras na BR-232, o Aeroporto Internacional dos Guararapes/Gilberto Freyre e o Porto de Suape foram motivos de elogios, além da redução do déficit do Estado. “Um exemplo disso foi a Reforma Administrativa do Governo. Parabenizo todos os deputados da Casa pela aprovação”, confessou ele.
O líder do Governo, deputado Bruno Araújo (PSDB), apoiou Henry, ressaltando “a necessidade de debates interessantes e proveitosos na Alepe”. Ele também foi apoiado por Fernando Lupa (PSDB) e pelo líder do PFL, deputado Augusto Coutinho, que destacaram o trabalho dele na Prefeitura do Recife e no Governo.
Já a Oposição rebateu as críticas feitas por Raul Henry ao Governo Lula. O deputado Sílvio Costa (PMN) questionou os gastos da Secretaria Estadual de Educação – de R$ 5,6 milhões – na compra de bancas escolares e os investimentos na ordem de R$ 15 milhões para a execução dos projetos Rumo à Universidade e Rumo ao Futuro. Costa propôs mudanças. “Com esse dinheiro, eu daria aula de segunda a sexta para muitos alunos, e não só para 10 mil”, disse.
Ao tentar defender a educação em Pernambuco, a deputada Tereza Leitão (PT) lembrou que a política educacional no Estado apresenta, hoje, um déficit de investimentos na qualidade do ensino. Quanto às mudanças no âmbito Federal, “precisa-se de tempo”. “Temos 500 anos de uma política no País e, em dois meses, não se pode mudá-la”, afirmou ela, que foi indagada por Raul Henry no que diz respeito às mudanças prometidas, “já que nem o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, sabe dizê-las?”.
Em resposta ao déficit na educação, Raul Henry falou sobre a criação do Plano de Cargos e Carreira, modificação estrutural nas escolas, com a eleição para diretores, o problema mundial da falta de professores de Física, Química e outras disciplinas. “Proponho que o deputado Sílvio Costa procure o secretário de Educação, Mozart Neves, para fazer as sugestões de mudanças”, disse.
Os parlamentares José Queiroz e Alf, ambos do PDT, João Negromonte e Jacilda Urquisa, do PMDB, saudaram a presença de Henry na tribuna. Já Maviael Cavalcanti (PFL) e o líder da Oposição, Sérgio Leite (PT), apartearam o novato e chamaram sua atenção para a pressa nas mudanças. “Lula está indo no caminho certo, dentro da realidade, vejo que tem boas intenções e que segue, e muito, as ações de FHC,” concluiu Cavalcanti.
Resposta – O deputado Sílvio Costa aproveitou o aparte durante o discurso de Sérgio Leite para se defender. ” Não fiz nenhum tipo de acusação de malversação do dinheiro público quando falei sobre a compra de bancas escolares. Farei uma pesquisa de mercado e mostrarei que cada banca poderia ser comprada por R$ 25, economizando recursos”, disse. Quanto à proposta de Henry, Costa afirmou que vai procurar o secretário Mozart Neves para debater a questão.
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