Henry ataca contradições do PT e provoca polêmica

Em 04/04/2003 - 00:00
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O deputado Raul Henry (PMDB) fez, ontem, uma análise das “contradições da gestão de João Paulo na Prefeitura da Cidade do Recife (PCR)”. Henry lembrou várias promessas feitas pelo prefeito, durante a campanha eleitoral que, segundo ele, não foram cumpridas. Entre os assuntos destacados, estão os compromissos de construção de 40 mil casas, do reajuste salarial de dois em dois meses para o funcionalismo, extinção da taxa tapa-buraco e a destinação de, no mínimo, 1% do orçamento para o Fundo da Criança e do Adolescente.

“Quero cobrar das pessoas uma coerência entre o que dizem e o que fazem, e isso só é possível no momento em que as pessoas que fizeram oposição durante muito tempo exercem o poder. Há muitas contradições entre os discursos do PT na campanha eleitoral e o que está sendo realizado na prefeitura”, acusou. Henry ainda relacionou números para comprovar essas contradições. “João Paulo prometeu construir 40 mil habitações populares, mas concluiu apenas 1.200 casas, sendo quase mil iniciadas pela gestão passada e, agora, anuncia a construção de mais 317 unidades. Isso é muito pouco “, frisou.

O deputado também criticou o não-cumprimento do compromisso do prefeito em extinguir a taxa tapa-buraco e a ampliação da verba de publicidade. “A prefeitura encaminhou um projeto extinguindo a taxa, mas, inexplicavelmente, toda a sua bancada votou contra a proposta. O prefeito também prometeu utilizar a verba de publicidade para ampliar os recursos dos programas sociais, mas aumentou a propaganda para R$6 milhões”, afirmou.

Apartes – Augusto Coutinho (PFL) acrescentou “mais uma incoerência” da gestão de João Paulo. Ele lembrou o “polêmico” caso da dispensa de licitação da PCR nas obras de recuperação da Ponte Paulo Guerra, no Pina. “A prefeitura alegou ser uma obra emergencial para dispensar a licitação, mas, hoje, depois de quatro meses da polêmica e denúncia na Câmara de Vereadores, volta atrás e decide abrir o processo licitatório”, denunciou Coutinho.

O líder do PDT, José Queiroz, questionou se Henry não confiava na Câmara de Vereadores do Recife, pelo fato de trazer à Casa uma discussão que deveria ser “de competência do Legislativo Municipal”. “Surpreende-nos sua falta de confiança na Câmara. Fazer uma análise como essa é um demérito aos companheiros daquela Casa. Vossa Excelência está com síndrome de vice-prefeito. Está na hora de viver seu mandato de deputado estadual e deixar essa tarefa para a Câmara”, afirmou. Em resposta a Queiroz, o deputado do PMDB lamentou o fato do oposicionista “ter tentado cercear e limitar o debate político”.

Sílvio Costa (PMN) elogiou as críticas de Henry, mas questionou o fato de o Governo Jarbas também não ter investido na área de habitação. “Não se fala em corda na Casa de enforcado”, ressaltou. Os petistas Teresa Leitão e Isaltino Nascimento questionaram as ações do Governo do Estado e relacionaram algumas das áreas em que a prefeitura tem realizado trabalhos de destaque, “a exemplo do aumento do número de equipes do Programa Saúde na Família; da contratação de professores, ampliação e melhoria da rede municipal de ensino”. “Se for comparar a ação na prefeitura, o PT leva uma grande vantagem em relação aos administradores anteriores, principalmente, porque tem ampla participação popular”, destacou Isaltino. Roberto Leandro (PT) e Nelson Pereira (PCdoB) também ressaltaram ações da PCR e destacaram que “os índices sociais não podem melhorar de uma hora para outra”. “Não se pode cobrar em dois anos de administração anos e anos de ausência de ações”, defendeu Pereira.

Já o deputado João Negromonte (PMDB) lembrou a convivência com João Paulo na época em que o prefeito era deputado. Segundo ele, “João Paulo é uma excelente pessoa, mas um desastre como administrador. O Recife não tem obra e não se vê absolutamente nada sendo feito”, disse. Pedro Eurico (PSDB) salientou a “facilidade” de administrar o Recife, “pelo fato da cidade ter 40% de seu orçamento de renda própria. Os deputados Maviael Cavalcanti (PFL), Bruno Rodrigues (PPB) e Bruno Araújo (PSDB) também concordaram com Raul Henry.