Deputados apuram venda ilegal de vales-transporte

Em 29/03/2003 - 00:00
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Dando continuidade à coleta de informações sobre a situação do sistema de transporte coletivo do Estado, a Comissão Especial criada pela Alepe para debater a questão realizou, ontem, sua segunda audiência pública. A principal preocupação dos parlamentares no encontro de foi apurar informações sobre a venda ilegal de vales-transporte.

No debate, os integrantes do colegiado conheceram as posições dos presidentes do SindKombi, Amauri Soares, do SindRecife, José Gonçalves, do Sindicato das Empresas de Transporte (Setrans), Marconi Filizola, da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), Ivan Cunha, e do superintendente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Marcos Vinícius Menezes.

O relator da comissão, deputado Pedro Eurico (PSDB), sabatinou os representantes do transporte alternativo e das empresas de ônibus, na tentativa de obter informações a respeito do envolvimento das empresas no repasse ilegal dos vales. “Existe um mercado paralelo que funciona ilegalmente no repasse de vales-transporte e, hoje, já movimenta milhões de reais. Se só as empresas de ônibus têm autorização da EMTU para trocá-los, como um sistema ilegal pode funcionar recebendo esses vales?”, indagou Eurico.

O presidente do SindRecife, José Gonçalves, relatou números do transporte alternativo no Recife. Ele informou que existe um sistema organizado pelo sindicato para garantir a segurança das linhas utilizadas pelas Kombis e vans na cidade e destacou também que esses veículos utilizam os vales para o abastecimento. “Não sei informar sobre a existência de empresas recebendo os vales, só conheço o trabalho do sindicato. Sei que há postos que vendem gasolina com vale, mas não sei quais. A maioria dos motoristas vende para compradores em lugares como a Avenida Conde da Boa Vista. Quando os motoristas param, eles aparecem querendo comprar”, esclareceu.

Pressionado por Eurico, o presidente do SindKombi, sindicato que atende os motoristas do transporte alternativo de todo o Estado, Amauri Soares, acabou admitindo a participação de empresas de ônibus na troca dos vales-transporte.

Apesar de só citar o nome de uma delas, a Expresso Azulzinho, que serve ao município de Abreu e Lima, na região metropolitana, Soares admitiu que existem outras que compram os vales dos “kombeiros”. Ele ainda detalhou como são feitas as fiscalizações dos veículos. Segundo ele, os motoristas de cada uma das linhas promovem uma assembléia e definem um responsável pela fiscalização, “que é feita do mesmo modo que a das empresas de ônibus”. O fato foi criticado por Eurico classificando-o como a criação de Estado paralelo que estabelece suas própria leis.

Regulamentação Sobre o projeto de regulamentação do transporte alternativo proposto pela Prefeitura do Recife, os dois representantes da categoria ficaram em posições contrárias. José Gonçalves apoiou o projeto, chegando a elogiar o trabalho da prefeitura, mas Amauri Soares se posicionou contrário à proposta, “por não estar sólida”.

Os parlamentares cobraram um trabalho educativo e de capacitação para motoristas e cobradores, além de ações mais efetivas por parte dos sindicatos na existência da manutenção dos veículos. Eles também destacaram a necessidade de garantir os direitos dos trabalhadores de transporte alternativo.

O presidente do Setrans, Marconi Fiizola, elogiou o projeto da Prefeitura do Recife. Ele só lamentou a possibilidade de a proposta receber alterações durante sua tramitação na Câmara de Vereadores. “Se ficar como está, será muito bom para as empresas”, defendeu. Ele lembrou a crise por que passam as empresas de ônibus e solicitou providências urgentes para evitar um “colapso no sistema de transporte público”. Filizola também admitiu a participação de empresas no “mercado ilegal de vales-transporte”. “Sabemos de algumas, como a já citada pelo presidente do SindKombi, mas as que participam dessa troca são as estritamente municipais”, frisou.

Já o superintendente do DER, Marcos Vinícius Menezes, fez uma análise da situação do transporte intermunicipal e também elogiou a concepção básica do projeto do Recife. O presidente da CTTU, Ivan Cunha, falou da situação do transporte no Recife e da proposta que deverá ser implementada pela prefeitura e o órgão até o fim deste semestre.