Comissão vai sugerir ação de força-tarefa em Paudalho

Em 28/03/2003 - 00:00
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Depois de duas horas de reunião com o prefeito do município e o promotor de Justiça da comarca de Paudalho, os deputados da Comissão de Cidadania retornaram ao Recife convencidos da necessidade do envio de uma força-tarefa para pôr fim aos grupos de extermínio que estão aterrorizando a população daquela região do Estado.

Ontem, os deputados deslocaram-se até o Fórum Ministro Petrônio Portela, em Paudalho, para debater com autoridades estaduais e locais o clima de terror provocado por ações criminosas dos exterminadores, que, inclusive, impuseram um “toque de recolher” na cidade. No encontro, discutiu-se medidas a serem tomadas para enfrentar esses grupos, com atuação na Mata Norte, principalmente em Paudalho e Chã de Alegria.

Após a reunião, o presidente da Comissão de Cidadania, deputado Roberto Leandro (PT), disse que o “crime está tomando conta da região, como ocorreu noutras partes do País. Mas, agora, vamos partir para um trabalho conjunto, em busca da punição dos culpados e aplicação da justiça”. O deputado Fernando Lupa (PSDB), que solicitou a ida da Comissão de Cidadania ao município, entende que o Brasil não pode render-se aos bandidos, sendo a questão segurança “o grande desafio do governo Lula”.

O prefeito de Paudalho, José Pereira Araújo, mostrou-se confiante. “Desta vez, a comunidade contará com firme proteção contra os desmandos de foras-da-lei”, afirmou, confirmando que, em 17 meses, ocorreram 81 mortes, todas atribuídas aos grupos de extermínio que atuam na Mata Norte. Já o prefeito de Chã de Alegria, Marinaldo Massena, disse que recebeu ameaças do crime organizado e, da mesma forma, espera que as autoridades, agora com o apoio dos parlamentares, “limpem a região dos mafiosos”.

O promotor público Edgar Braz Mendes indicou que, embora alguns crimes tenham resultado na prisão dos envolvidos, entre os quais um soldado PM e um soldado do Exército, existem, ainda, “indícios da participação de outros militares”.

Segundo ele, restam em torno de 50 crimes a serem investigados.

Leandro diz no Plenário que a situação é grave Os integrantes da Comissão de Cidadania voltarão a debater o tema, à tarde, no Plenário da Alepe. Roberto Leandro fez um relato da viagem, mostrando a amplitude do problema e as possíveis saídas. “São fatos graves, que exigem desta Casa e das autoridades da área de segurança medidas urgentes, para que a criminalidade praticada naquela região não se espalhe por todo o Estado”, afirmou. “Vamos pedir ao secretário de Defesa Social que envie uma força-tarefa à região, bem como que seja dada garantia de vida ao promotor e ao prefeito de Paudalho, que estão sendo ameaçados pelos exterminadores”, completou o petista.

“É de extrema importância a atuação urgente dessa força-tarefa. O problema da violência naquela região é bem maior do que eu imaginava”, apontou Fernando Lupa, revelando que “já existe um plano para executar autoridades locais”.

Cleiton Collins (PSB), que também esteve em Paudalho, concordou com a iniciativa da comissão. “É preciso que as policias acabem com a criminalidade ali existente”, acrescentou.

Apesar de apoiar a iniciativa da comissão, José Queiroz (PDT) questionou o Governo do Estado sobre o estado de violência naquela região. Ele lembrou que a Alepe, através da CPI da Violência, apontou “os altos índices de criminalidade no Estado”. “Passados dois anos desse trabalho, o que foi feito pelo Governo para diminuir ou acabar com essa violência?”, indagou. O deputado Soldado Móises (PL) também não poupou críticas ao Governo, lamentando o envolvimento de policiais nos crimes. “Temos que reprovar a omissão do Governo na questão da segurança pública”, atacou.