Projeto náutico do Governo é criticado por parlamentares

Em 02/04/2003 - 00:00
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O Projeto Circuito Náutico deu muito o que falar, ontem, na Assembléia. Os deputados Sílvio Costa (PMN) e Ceça Ribeiro (PT) questionaram o valor da obra, o efeito que ela terá sobre o Canal de Santa Cruz e a comunidade envolvida no empreendimento. De acordo com o deputado, R$ 7,5 milhões é muito dinheiro para concretizar o projeto, que conta com seis pieres e igual número de estações hidroviárias, “um galpão que servirá para instalação de comércio”. A maior parte do dinheiro, segundo ele, está sendo gasto com a dragagem de areia para aprofundar o canal e permitir a passagem dos barcos, “já que a construção de um pier, do mesmo tamanho, não deve ultrapassar R$ 50 mil e da estação, R$ 15 mil.

O Projeto, que inicialmente tinha o nome de Costa Verde, tem o objetivo de desenvolver o turismo no Litoral Norte do Estado, fazendo com que a região possa ter um fluxo maior de embarcações. Os pieres estão sendo construídos nos municípios de Paulista, Itamaracá, Itapissuma, Igarassu e Catuama.

Os deputados Antonio Moraes (PSDB), Roberto Leandro (PT) e Alf (PDT) fizeram coro junto a Costa e solicitaram informações detalhadas sobre o empreendimento.

Alf, que é presidente da Comissão de Meio Ambiente, foi mais além, sugerindo a formação de uma comissão para checar a obra in loco. Os parlamentares alegaram que não são contra o turismo, mas o mau uso do dinheiro público.

O deputado Ricardo Teobaldo (PMDB), vice-líder do Governo, alegou que a obra visa incrementar o turismo na região de Maria Farinha, onde existe uma área mais propícia para navegação e que trará as informações solicitadas ainda hoje.

Ele também concorda que qualquer suspeita de malversação de dinheiro público “tem que ser investigada, porém não se pode ir contra o desenvolvimento do turismo”. O deputado Ciro Coelho (PFL) também defendeu o projeto e o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico e atual deputado Federal, Carlos Eduardo Cadoca (PMDB), responsável pelo implantação do projeto. Segundo ele, o Circuito Náutico será um sucesso assim como outros circuitos implantados por Cadoca.

Meio ambiente – Para Ceça Ribeiro, a dragagem do canal não leva em consideração a proteção dos pescadores da região, principalmente, de Itapissuma, já que 70% sobrevivem da pesca artesanal. Ela denuncia, ainda, que o projeto não tem nenhum estudo conclusivo de impacto ambiental e a dragagem do canal poderá provocar a morte de muitos peixes. “Há algum tempo, várias usinas derramaram um grande volume de mercúrio no rio e agora, com a remoção da terra, corre-se o risco de ver esse mercúrio reativado, já que está adormecido, preso no lodo”, explicou Ceça.

A parlamentar também denunciou a morte dos manguezais e o empobrecimento da população pesqueira dos municípios de Paulista, Abreu e Lima, Igarassu, Itapissuma, Itamaracá e Goiana com a instalação de viveiros de camarão.