A Comissão de Defesa da Cidadania (CDC) visitou, ontem, três áreas de assentamentos rurais da Zona da Mata Norte – o Engenho Prado (Tracunhaém), Usina Aliança (Aliança), e Engenho Bonito (Condado) onde há disputa pela posse da terra e a perspectiva de conflitos, “se não forem tomadas providências urgentes”. Nos três locais estão concentradas mais de 600 famílias de camponeses liderados pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Os movimentos social e religioso, junto com os agricultores, travam batalhas judiciais pela posse da terra com o Grupo João Santos, proprietário de 2.580 hectares nos engenhos Prado, Papicu, Tóquio, Taquara e Dependência e, ainda, o Engenho Bonito, em Condado e com os donos da Usina Aliança. Os deputados Roberto Leandro (presidente da CDC), Ceça Ribeiro e Isaltino Nascimento (os três do PT), Moisés Filho (PL) e o federal Paulo Rubem Santiago (PT) acompanharam depoimentos emocionados dos sem terra no assentamento Chico Mendes II, localizado no Engenho Prado. O procurador geral de Justiça, Francisco Sales, também esteve presente na visita, sensibilizando-se com o problema.
Seis camponeses chegaram em procissão cantando e apresentando amostras de produtos agrícolas, terra e água contaminados que, segundo eles, sofreram danos pelo “ataque com agentes químicos realizado por funcionários do Grupo João Santos”. Chorando muito, duas mulheres e uma adolescente lembraram que estavam no local há seis anos “sofrendo constantes ameaças de morte, constrangimentos e pressões” para desistirem da disputa pela terra.
“Nós estamos machucados e queremos terra e justiça. Um trabalhador rural já foi assassinado (Ismael Felipe, do Engenho Taquara) e uma companheira morreu queimada (Maria) aqui no Prado, devido as condições deficientes do barraco que morava e pegou fogo”, afirmou Luiza Cavalcanti, uma das líderes do Chico Mendes II.
Os deputados ficaram indignados após constatarem o “descumprimento” de determinação do secretário de Defesa Social, Gustavo Lima, que em reunião, na sexta-feira passada, com parlamentares e o Ministério Público, se compremeteu a ordenar a retirada, no sábado, de uma metralhadora que estava num Jipe da PM intimidando os camponeses. “É inaceitável a PM estar sendo parcial, e a retirada da arma só ter ocorrido hoje”, lamentou Isaltino Nascimento. O comandante do 2º BPM, Coronel Mattos, acompanhou parte da visita e confirmou o recolhimento da arma ontem.
Clima de disputa e pressão os parlamentares também encontraram no Engenho Bonito, onde os agricultores reclamaram da atenção dada pela Polícia Civil e a Justiça a uma denúncia anônima de que no local existia plantações de maconha, o que não foi comprovada.
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