A fonte de recursos para o Carnaval do Recife foi discutida, ontem, entre os deputados, causando polêmica na Assembléia. A parceria feita entre a prefeitura Recifense e a Empresa Souza Cruz, (um dos patrocinadores da festa de momo na capital) não agradou ao deputado Pedro Eurico (PSDB), que alegou “uma total falta de descompasso” do Partido dos Trabalhadores (PT) nas suas administrações.
A Souza Cruz fechou convênio com a prefeitura para ter uma das cotas durante a folia, sendo essa de R$ 650 mil, contribuindo para a expansão do Carnaval em mais de 30 pólos na periferia da cidade. De acordo com Pedro Eurico, o contrato se contrapõe à saúde no Brasil, que, durante décadas, lutou pelo combate ao tabagismo. “O Código Penal proíbe até a divulgação do cigarro, considerado uma droga legal. Já o PT incentiva o consumo dessa forma”, frisou.
Para o petista Isaltino Nascimento, a parceria só vem favorecer a realização do evento carnavalesco, que este ano precisaria de R$ 8 milhões para se consolidar e se expandir. Além disso, o parlamentar afirmou que o turismo local é beneficiado diretamente com a verba, pelo retorno financeiro que trará ao Recife. “O contrato em nada muda a ideologia do partido em combater o uso do cigarro. Foi necessário ir atrás de recursos e não se pode fazer apologia de incentivo ao consumo”, alertou Nascimento, que foi defendido pelo líder da Oposição, deputado Sérgio Leite.
O líder do PFL, deputado Augusto Coutinho, saiu em favor do tucano Pedro Eurico, alegando que “o PT muda de discurso quando senta na cadeira para administrar”. Já o líder do Governo, o parlamentar Bruno Araújo (PSDB), lembrou a atuação da Souza Cruz “em países neoliberalistas e o lucro que terá a fundação dessa empresa por não pagar impostos”.
O deputado Sílvio Costa (PMN), por sua vez, lembrou a parceria do Governo do Estado com as cervejarias e fábricas de energéticos do País para o Carnaval de Pernambuco, mesmo sendo essas bebidas alcóolicas e consideradas drogas legais.
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