Jacilda reage contra discriminação à mulher

Em 20/03/2003 - 00:00
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Baseada em matéria do Diário de Pernambuco, sobre a informação do Governo Federal de que a mulher é uma das causas do desequilíbrio financeiro do sistema previdenciário, a líder do PMDB, deputada Jacilda Urquisa, criticou “o esquecimento da proposta de evolução da participação feminina na sociedade brasileira”. Para a parlamentar, “é absurda a argumentação de que as dificuldades do Ministério de Previdência e Assistência Social sejam atribuídas às mulheres”.

Jacilda Urquisa destacou a surpresa com a notícia, enumerando os motivos pelos quais a mulher é responsabilizada pela “falência do sistema previdenciário”, entre eles, sua maior expectativa de vida em relação aos homens e a alta quantidade de mulheres aposentadas pelo regime especial, por causa do trabalho nas Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. “Vi com estupefante surpresa a notícia de que o Governo Federal encaminhou aos Estados uma proposta, a ser discutida, apontando a mulher como alvo principal da reforma previdenciária, com o intuito de tolher seus direitos adquiridos, chegando a acusar a alta expectativa de vida da mulher como fator negativo. É inacreditável que isso seja o pensamento de um Governo que se diz defensor de minorias”, salientou. Ela ainda fez um apelo ao governador Jarbas Vasconcelos e ao secretário de Administração e Reforma do Estado, Maurício Romão, para que o Estado saia em defesa da mulher e conteste, através de um documento, a proposta do Ministério de Previdência.

Em resposta às declarações da deputada, o líder do PT, deputado Isaltino Nascimento, esclareceu que a informação divulgada sobre a “responsabilidade da mulher na falência do sistema previdenciário” não veio do Governo Lula, “mas de uma carta elaborada no encontro entre o presidente e os governadores de todos os Estados para discutir as reformas política, tributária e previdenciária.

“Esse documento foi elaborado com a participação de todos os governadores, inclusive o governador Jarbas Vasconcelos, e contém apenas as questões levantadas na ocasião. Todas essas definições, como a contribuição dos servidores inativos, a criação de uma previdência complementar e a igualdade no tempo de aposentadoria para homens e mulheres ainda serão discutidas com a sociedade antes de serem encaminhadas para votação, não sendo nada definitivo”, declarou. Isaltino também destacou que não concorda com as mudanças no tempo de aposentadoria das mulheres.

Ele defende que os direitos obtidos pelas mulheres devem permanecer os mesmos, já que representam conquistas importantes. “Elas já trabalham a vida inteira em jornada dupla, levando-se em consideração que trabalham fora e ainda cuidam da família e da casa. Não é justo que isso não seja levando em conta”, argumentou.