Um possível enfraquecimento do Poder Legislativo, abordado pelo Jornal do Commercio do último domingo, na matéria “Assembléia perde força e frusta parlamentares”, foi tema do pronunciamento do deputado Betinho Gomes (PPS). O parlamentar disse que a Alepe “tem sido atuante, discutido temas polêmicos, mas o volume do que é feito não chega até a população”. Ele defendeu a necessidade de destacar as ações realizadas pela Casa e estreitar a relação entre o Parlamento e a sociedade.
Em aparte, o deputado Antônio Moraes (PSDB) disse que não se sente frustado com o seu mandato, mas que algumas questões “têm que ser revistas, como a volta do poder de legislar sobre matérias financeiras”. Moraes disse, ainda, que está sendo elaborado um projeto que prevê essa mudança. “Isso, certamente, vai dar uma motivação muito grande, não apenas aos parlamentares novos, mas também aos veteranos”, acrescentou.
O deputado Sílvio Costa (PMN) questionou o objetivo de Betinho Gomes ao levantar o assunto. Segundo ele, não ficou claro se tratar de um ataque ou uma defesa. “Se for uma defesa do Poder Legislativo, é bastante contraditório porque quando Vossa Excelência assumiu o mandato se posicionou contra a liderança de bancada de um só parlamentar, mas hoje é líder de si mesmo”, acrescentou.
Em resposta, Gomes disse que não estava agredindo nem defendendo ninguém, mas apenas levantando a questão para que a Casa faça uma auto-avaliação. “Quanto à liderança de bancada de um só membro, ainda sou contrário, mas vou me posicionar no momento oportuno, que será durante as discussões da reforma do Regimento Interno”, respondeu.
O deputado Pedro Eurico (PSDB) disse que “a crise do Parlamento” é generalizada, e não ocorre apenas em Pernambuco ou na Casa de Joaquim Nabuco.
“O Legislativo é vitimado pela crítica fácil, mas os que jogam pedra hoje esquecem que o Parlamento fez muita falta na época da ditadura militar”, declarou o tucano. Para o deputado Alf (PDT), a partir do momento em que a Casa de Joaquim Nabuco começar a defender temas “de real relevância para a sociedade”, o reconhecimento virá, automaticamente”, disse.
Os deputados Maviael Cavalcanti (PFL) e Teresa Leitão (PT) concordaram ao afirmar que, “em parte, a matéria tem fundamento”. Teresa disse que, muitas vezes, a bancada oposicionista é impedida de realizar algumas ações por não ter o apoio da bancada governista, “que se deixa monitorar pela maioria numérica”.
E Cavalcanti questionou as negociações entre partidos, a fim de conseguir apoio, como está acontecendo no âmbito federal. “Ou fazemos a Reforma Partidária ou jamais teremos um Parlamento de respeito. Ou acabamos com o ‘é dando que se recebe’ entre os partidos ou nunca teremos um Parlamento sério”, declarou.
Ao final, o deputado Raimundo Pimentel (PSL) disse que foi procurado pela reportagem do jornal e disse que não se sentia frustrado com o mandato ou com o Poder Legislativo. “Pelo contrário, eu transmiti o meu orgulho imenso pelos dois meses de mandato, mas isso não repercute e, portanto, nem foi citado na matéria.”
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