A “novela” da possível cassação do senador baiano Antônio Carlos Magalhães (PFL), repercutiu, ontem, na Alepe. O assunto foi levantado pelo deputado Pedro Eurico (PSDB), que questionou o fato do PT não ter entrado com a representação pedindo a cassação do parlamentar. As críticas ao partido foram rebatidas por Isaltino Nascimento e Teresa Leitão, ambos do PT.
“Lembro de ex-deputados petistas defendendo a apuração rigorosa de denúncias de supostas irregularidades cometidas pelo governador Jarbas e pelo ex-governador Arraes. Mas agora que o PT é Governo a postura é outra”, apontou Eurico.
“O fato é que o Governo não defende a cassação, nem a criação de uma CPI, porque o PT precisa dos 16 votos que ACM tem no Senado”, acrescentou. Em resposta ao tucano, Isaltino Nascimento disse que “nenhum partido quis subscrever o pedido de cassação imediata do senador, inclusive o PSDB”. “Por isso, o PT solicitou que fosse feita uma sindicância para apurar os fatos, ouvir os envolvidos e, posteriormente, solitar a cassação, se for esse o consenso”, explicou Isaltino.
Eurico voltou à tribuna e questionou, mais uma vez, a “mudança de postura do PT”. “O que ocorre é que o PT começa a amadurecer porque começa a exercer o poder. Ser oposição é fácil, mas ser governo é isso, ter prudência, ter cautela. No entanto, para um partido que sempre defendeu a abertura de CPIs, é estranho mudar justo nesse caso. Quem mudou, então? O vento ou a posição em que o PT se encontra em relação ao vento?”, filosofou.
Em aparte, Teresa Leitão defendeu o Governo Lula e a postura dos parlamentares petistas e trouxe a discussão à esfera estadual. “O que vimos aqui, no final da legislatura passada, foi o governador enviar uma reforma administrativa elaborada e votada às pressas sem que isso fosse questionado nesta Casa, enquanto os projetos que criam o Código de Ética e reformulam o Regimento Interno foram deixados para serem discutidos agora com os 27 novos deputados.
Por que o tratamento diferenciado?”, questionou.
O deputado Sílvio Costa (PMN) também ocupou a tribuna de apartes e mudou o foco da discussão trazendo-o para a esfera municipal. “O que me incomoda é a forma como o PT chegou ao poder e como exerce esse poder. Vou deixar Lula de lado e analisar o prefeito João Paulo, por exemplo. Ele se elegeu em cima de mentiras: prometeu construir 40 mil casas e ainda não entregou nem 4 mil; disse que ia resolver o problema da educação e da saúde e não resolveu; e disse que ia colocar a Enterpa (empresa que recolhe o lixo) para fora da prefeitura e, hoje, é quem detém o maior contrato, no valor de R$ 200 milhões”, destacou.
Costa concluiu criticando as “freqüentes dispensas de licitações feitas pela PCR”. Nascimento disse que a discussão sobre questões municipais será feita no momento oportuno, “que é 2004”. Porém, relatou algumas das realizações que João Paulo tem feito na prefeitura, principalmente nas áreas mais carentes do município. Para ele, o crescimento do PT no Legislativo e no Executivo “prova que o povo está respaldando nossa atuação”.
COMO CHEGAR