Alepe debate Circuito Náutico

Em 16/04/2003 - 00:00
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O Circuito Náutico, projeto do Executivo para incrementar o turismo no litoral norte do Estado, foi debatido, ontem, durante mais de três horas na Assembléia Legislativa. Em audiência pública concorrida, deputados, técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), da Companhia Pernambucana de Recursos Hídricos (CPRH), o secretário-executivo de Turismo do Estado, Fernando Jordão, o prefeito de Igarassu, Ives Ribeiro, e representantes de colônias de pescadores tentaram esclarecer dúvidas sobre o polêmico projeto, que está em execução e deve consumir investimentos de R$ 7,75 milhões.

Jordão fez uma apresentação do Circuito Náutico e detalhou todas as fases do projeto e seus respectivos custos. Serão construídos seis piers e três estações de apoio para receber os turistas. Em vários pontos dos 44 quilômetros do percurso, especialmente no Canal de Santa Cruz, vai haver dragagem para permitir a passagem das embarcações turísticas. “A dragagem vai atingir apenas 50 dos 800 metros de largura do canal”, afirmou.

O deputado Sílvio Costa (PMN), autor da proposta da audiência, estranhou os custos apresentados. “Gastar 2,12 milhões em sinalização; 2,20 milhões em dragagem; 1,16 milhões com construção dos núcleos de apoio; e 1,69 milhões com os piers não é prudente”, afirmou, acrescentando que “gostaria de ser convencido de que o circuito não degrada o meio ambiente”.

A deputada Ceça Ribeiro (PT) reclamou da prioridade dada ao projeto e lembrou que sua execução vai trazer “graves danos” ambientes e sociais. “É necessário o turismo com desenvolvimento sustentado, mas não atrapalhando os pescadores artesanais, que são 70% da população de Itapissuma e dependem do canal para sobreviver”, afirmou. A deputada e seu marido, Ives Ribeiro, lembraram que a empresa Agropecuária Igarassu, do Grupo Votorantim, foi responsável, nos anos de 1979 e 1980, pelo despejo de 30 toneladas de mercúrio no leito do canal, o que provocou muitas mortes de crianças na época. “Existe o temor de que, com a passagem de muitas embarcações, o mercúrio volte a contaminar as pessoas”, completou a petista. Lula Cabral (PMDB) concordou com a preocupação, mas destacou que o turismo deve ser prioridade para que Pernambuco “não perca mais espaço e gere emprego e renda”. Já Antônio Moraes (PSDB) afirmou que o litoral norte já cobrava investimento adequado para impulsionar o turismo. “Em todas as fases do projeto, o Governo ouviu as partes e atendeu as exigências para não danificar o meio ambiente”, garantiu.

Reinaldo Moura, do Ibama, esclareceu a posição de liberar o projeto, “desde que fossem atendidas recomendações para preservar a área”. Técnicos da CPRH asseguraram que as orientações “foram acatadas e os impactos ambientais foram amenizados”. “Pesquisadores da UFPE desenvolveram teses de doutorado que comprovam uma grande capacidade de diluição do mercúrio no canal de Santa Cruz e constataram que restam apenas 1,5 toneladas do produto”, afirmou o técnico do Ibama Assis Lacerda.

Os deputados solicitaram que fossem enviados os documentos de todas as licitações do projeto para serem analisados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).