
QUALIDADE DE VIDA – Reunião discutiu a busca de uma vida mais ativa e autônoma para idosos. Foto: Nando Chiappetta
A Comissão de Saúde da Alepe debateu, nesta segunda (27), a importância do envelhecimento ativo com autonomia e a ampliação do diálogo sobre políticas voltadas à população idosa.
A audiência pública reuniu autoridades e especialistas para discutir o conceito de New Older Living Trend, conhecido como NOLT, que retrata as novas formas de viver da população mais velha, marcada por maior autonomia, longevidade e participação ativa na sociedade. A tendência reflete um envelhecimento mais dinâmico, com indivíduos que buscam qualidade de vida, aprendizado contínuo e integração digital.
O encontro foi presidido pelo deputado João Paulo (PT). O parlamentar observou que o envelhecimento não deve significar renúncia, e sim continuidade, independente da idade.
“Hoje, a longevidade está cada vez mais associada à autonomia, à experiência e à vida ativa. Vemos pessoas que chegam ao 60, 70 e 80 com projetos, disposição e vontade de participar da vida social. É nesse contexto que muitas pessoas já não se definem pela idade, mas pela forma que escolhem viver”, afirmou.
Desafios
O geriatra Alexandre de Mattos, professor da UPE, traçou um panorama sobre o NOLT e o envelhecimento bem-sucedido, destacando o avanço histórico da longevidade no Brasil, com o aumento na média de expectativa de vida de 35 anos em 1925 para cerca de 77 atualmente, segundo a OMS.
Ele ressaltou que o envelhecimento é um processo heterogêneo, mais ligado ao estilo de vida do que à genética, e enfatizou fatores como amizades, conexões sociais, propósito, alimentação, atividade física e pertencimento como centrais para viver mais e melhor..
Alexandre também abordou desafios como o etarismo, o aumento de doenças crônicas e o paradoxo entre maior sobrevida e menor qualidade de vida. Segundo o geriatra, o novo conceito corre o risco de ignorar as desigualdades sociais de renda e raça, já que uma boa rotina de cuidados pode ser cara e de difícil acesso.

PANORAMA – Sálvea de Oliveira e Alexandre de Mattos mostraram desafios para idosos terem uma vida mais ativa. Fotos: Nando Chiappetta
A fala foi corroborada por Sálvea de Oliveira Campelo e Paiva, coordenadora do Núcleo de Articulação e Atenção Integral à Saúde e Cidadania do Idoso (NAISCI). Ela alertou que o envelhecimento é desigual e não pode ser tratado de forma homogênea, enfatizando que fatores como acesso a políticas públicas determinam a qualidade de vida na terceira idade.
“É difícil escolher ser NOLT do dia para noite quando mais de dois terços das pessoas idosas no nosso Estado precisam ser provedoras de suas famílias multigeracionais; quando a renda das pessoas idosas chega a superar o Fundo de Participação dos Municípios; e quando os indicadores de baixa ou nenhuma escolaridade incidem nos de saúde vitimizando de maneira mais trágica as mulheres negras nordestinas”, pontuou.
A falta de encaminhamento para os aposentados foi questionada por Verônica Magalhães, fonoaudióloga, técnica de enfermagem e conselheira do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa do Recife (COMDIR). Para ela, a longevidade ainda é um privilégio da parte rica da população.
“O trabalhador se aposenta e diz ‘vou fazer o quê?’. Porque ele só sabe fazer aquilo e morre com cinco meses porque não tinha política pública para acolher o trabalhador aposentado e dar a ele um novo rumo na sua vida”, exclamou.
Políticas Públicas
Representando a Diretoria de Linha de Cuidados da Secretaria de Saúde do Estado, Morgana Xavier comentou projetos de fortalecimento do protagonismo da pessoa idosa e a importância de identificar diferentes níveis de autonomia e fragilidade.

SERVIÇOS – Morgana Xavier apresentou políticas públicas que contribuem para um envelhecimento ativo. Foto: Nando Chiappetta
Ela explicou que, na atenção primária em serviços de saúde na rede pública, é utilizado um questionário para avaliar as condições de saúde dos idosos e orientar um cuidado mais adequado a cada perfil, embora o instrumento ainda não seja obrigatório e esteja em processo de fortalecimento pela Secretaria.
Morgana citou, por exemplo, a inauguração da Unidade Pernambucana de Atenção Especializada e Reabilitação, voltada ao público idoso, com capacidade para cerca de 5,5 mil atendimentos mensais. A gestora também destacou uma parceria com a Secretaria de Educação para promover ações intergeracionais nas escolas sobre o cuidado com os mais experientes.
“É importante a gente ter sensibilidade para entender que nem toda pessoa idosa vai conseguir ter sempre autonomia para tomar suas decisões e independências para executá-las, seja por questões biopsicossociais ou econômicas, e por tudo que atravessa a vida de uma forma geral,”, afirmou.
Também participaram da audiência representantes de instituições como a Casa de Apoio Vovó Bibia, o Sesc e o Instituto Movimento, que desenvolvem projetos voltados à integração, qualificação e promoção da saúde da pessoa idosa, além de integrantes de secretarias vinculadas ao Governo do Estado e à Prefeitura do Recife.
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