
DEBATE – Comissão recebeu motoristas, entregadores e forças de segurança. Foto: Nivaldo Francisco
“A gente não quer virar nome de lei, não quer morrer para virar lei. A gente quer prevenção, que se faça algo antes que isso aconteça.” Relatos como o da motorista por aplicativo Thayza Gabriela, representante do grupo Elas na Direção, marcaram a audiência pública realizada nesta quarta (25), na Alepe, para debater a violência contra a categoria.
O encontro foi promovido pela Comissão de Segurança Pública e repercutiu casos como o de Victor Dantolli de Fontes Souza, morto em um assalto na Zona Norte do Recife, no dia 3 de março, e de Eduardo Luiz da Cruz, assassinado em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana, no dia 24, véspera da audiência pública. Ambos perderam a vida enquanto exerciam o trabalho.
Integração
O deputado João Paulo (PT), que solicitou a audiência, enfatizou a necessidade de políticas públicas que integrem os municípios da RMR. “A corrida não para na linha do município, e o risco também não. Por isso, a resposta não pode ser fragmentada. Se o problema é metropolitano, a resposta também deve ser”, considerou o parlamentar.

INTEGRAÇÃO – João Paulo defendeu políticas públicas articuladas entre municípios da RMR. Foto: Nivaldo Francisco
Ele citou o “Vigia Mais”, um programa do governo do estado do Mato Grosso, que integra câmeras de segurança públicas e privadas para realizar monitoramento 24 horas e ajudar a prevenir e solucionar crimes. A iniciativa tem o apoio da categoria.
“Esse aplicativo funciona muito bem. Pedimos que o Governo sente com a gente, implante esse mecanismo. Já sabemos que o Estado do Mato Grosso disponibiliza o código-fonte sem custo”, frisou o presidente do Sindicato dos Motoristas de Aplicativo em Pernambuco (Sindmape), Anderson Câmara.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Entregadores, Empregados e Autônomos de Moto e Bicicleta por Aplicativo do Estado de Pernambuco (Seambape), Rodrigo Lopes, sugeriu uma integração entre governo e aplicativos. “A Secretaria de Defesa Social e as empresas podem sincronizar os dados para mapear as regiões com mais assaltos e latrocínios. Nós, que estamos na pista, nos grupos de conversa, sabemos todos os pontos críticos e estamos dispostos a construir juntos”, pontuou.
Ele também lembrou o Projeto de Lei nº 3277/2025, elaborado em conjunto com o deputado João Paulo. O objetivo da medida, que está em tramitação, é proibir a venda de bolsas utilizadas por entregadores, para evitar que outras pessoas se passem por esses profissionais. Caberia às plataformas digitais fornecer gratuitamente as bolsas e identificá-las individualmente.
Dados
O rápido crescimento da categoria e a necessidade de uma regulação correspondente foram abordados pelo gerente-geral do Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciods), coronel Alexandre Tavares. Ele destacou o avanço de Pernambuco na redução dos índices de homicídios e crimes contra o patrimônio, no último ano. Segundo ele, os roubos de veículos caíram 22% em 2026, em relação ao mesmo período do ano passado.

APELO – Thayza Gabriela defendeu medidas para evitar a violência contra motoristas. Foto: Nivaldo Francisco
O coronel afirmou que os números que atendem às emergências (Polícia Militar – 190 – e Corpo de Bombeiros – 193) recebem de 5,5 mil a 6 mil ligações por dia no estado, e que há prioridade ao atendimento de crimes contra a vida, crimes graves contra o patrimônio e violência contra a mulher. “Não podemos criar uma ferramenta para priorizar um segmento e prejudicar o cidadão comum, que também precisa do atendimento de emergência”, considerou.
Enquanto a taxa de resolução de roubos e furtos em Pernambuco é de pouco mais de 5%, nos casos envolvendo motoristas de aplicativos o índice chega a 25%. Os dados foram apresentados pelo diretor integrado metropolitano da Polícia Civil de Pernambuco, delegado Paulo Gustavo Gondim Borba Correia de Souza.
Ele atribuiu esse resultado à articulação da categoria e reforçou a importância de acionar as forças de segurança pública. “Registrem os boletins de ocorrência porque, através desse registro, é possível traçar estratégias que orientam, inclusive, a Polícia Militar no lançamento do efetivo”, observou o gestor.
Responsabilidades
O presidente da Comissão de Segurança Pública, deputado Joel da Harpa (PL), destacou que em setembro do último ano foi realizada uma audiência pública com o mesmo tema. “Hoje voltamos para acompanhar o que tem sido feito para garantir a segurança desses trabalhadores. Como deputados vamos seguir cobrando, mas também reconhecemos o esforço dos órgãos de segurança”, pontuou o parlamentar.

ESTUDO – Coronel José Mário Canel citou modelo de monitoramento adotado em Mato Grosso. Foto: Nando Chiappetta
O coronel José Mário Canel, que representou o Comando Geral da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), informou que a corporação já tem contato com equipes do Mato Grosso, para estudar o programa “Vigia Mais”.
O deputado João Paulo comunicou que vai enviar um apelo à governadora Raquel Lyra e ao secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, para que efetivem a implementação da ferramenta tecnológica de proteção aos motoristas e motociclistas.
Ele também reforçou a importância do engajamento das empresas dos aplicativos na proteção aos trabalhadores. “As empresas conhecem rotas e horários críticos. Têm responsabilidade e precisam participar dos mecanismos de proteção”, afirmou João Paulo. Os deputados anunciaram uma reunião para ouvir as representações das empresas, no dia 8 de abril.
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