Mudanças de partido são destaque no Plenário

Em 18/03/2026 - 18:18
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O Plenário voltou a tratar, nesta quarta (18), das mudanças de sigla possibilitadas pela janela partidária, prazo de 30 dias para que parlamentares possam trocar de agremiação sem perder o mandato.

PARTIDO – Socorro Pimentel anunciou filiação ao PSD. Foto: Roberto Soares

Socorro Pimentel (União) anunciou filiação ao Partido Social Democrático (PSD). O gesto, realizado em conjunto com outros seis parlamentares da Casa, tem o intuito de fortalecer a base para a reeleição de Raquel Lyra ao Governo do Estado.

A parlamentar reafirmou sua crença no projeto que vem sendo construído para o Estado sob a liderança da governadora. “Na política, ninguém dá um passo como esse por acaso. Ninguém muda de partido sem ter clareza de onde está pisando e, principalmente, de quem está conduzindo esse caminho. E o que nos moveu foi estar ao lado de uma liderança firme, equilibrada e comprometida com resultados”, afirmou.

Combustíveis

Coronel Alberto Feitosa (PL) criticou as medidas anunciadas pelo Governo Federal para conter a alta nos preços dos combustíveis. Ele afirmou que o decreto que zera a alíquota do PIS/Cofins para o óleo diesel é insuficiente, já que, além de não incluir o álcool e a gasolina, a Petrobras anunciou, na sequência, um aumento no preço do diesel maior que o desconto. “Mesmo sem os impostos, ainda ficou seis centavos mais caro. E isso vai impactar na vida dos brasileiros”, pontuou.

PETRÓLEO – Coronel Alberto Feitosa criticou o Governo Federal pelo aumento no preço dos combustíveis. Foto: Roberto Soares

Feitosa também criticou o anúncio do Ministério dos Transportes de que irá intensificar a fiscalização eletrônica de empresas que descumprem o piso do frete rodoviário. Para ele, isso representa uma ameaça ou punição a quem precisa realizar o transporte de cargas. O parlamentar afirmou ter depoimentos de caminhoneiros dizendo que vão iniciar uma paralisação em Pernambuco a partir de quinta (19). “Se preparem, porque isso significa desabastecimento”, externou. 

Em outro momento, o deputado defendeu o reajuste da remuneração da guarda patrimonial do Estado. Também criticou o Governo do Estado pela falta de respostas às demandas da categoria. “Mais uma vez faço um apelo pela guarda patrimonial. Vamos continuar dando meios de trabalho, mas vamos também reconhecê-los de modo que eles possam ter uma situação melhor familiar, de sustentar seus filhos, de educar e de poder se destacar na sociedade”, concluiu.

Integral

Cayo Albino (PSB) denunciou a redução no número de matrículas em escolas de tempo integral da rede estadual, área em que, segundo ele, o Estado já foi referência nacional. Para o parlamentar, a educação deixou de ser prioridade em Pernambuco.

ESCOLAS – Cayo Albino denunciou a redução no número de matrículas em período integral na rede estadual. Foto: Roberto Soares

“Infelizmente, até agora o avanço nessa área está muito distante do que foi prometido. Além disso, as denúncias que continuam chegando, como os relatos sobre as dificuldades de infraestrutura e os desafios em serviços básicos”, afirmou.

Trabalho

João Paulo (PT) defendeu o fim da escala de trabalho 6×1. O parlamentar citou pesquisa, divulgada pelo instituto Datafolha no último dia 14, segundo a qual 71% da população é favorável à redução dos dias de trabalho semanais.

Ele ressaltou o crescente engajamento dos jovens com a causa e destacou a situação das mulheres, que acumulam jornadas duplas ou até triplas devido às responsabilidades domésticas e ao cuidado com os filhos. 

TRABALHO – João Paulo defendeu o fim da escala 6×1. Foto: Roberto Soares

“O fim da escala 6×1 não é apenas um ajuste no relógio de ponto. É um avanço civilizatório, é o reconhecimento de que o tempo de descanso também é direito, que a saúde mental também é direito, de que a convivência com os filhos, com a família, também é direito. E, para milhões de mulheres brasileiras, avançar nessa pauta significa começar a enfrentar de maneira concreta a justiça histórica da dupla jornada”, disse.

Trans

Joel da Harpa (PL) se mostrou contrário à presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), uma mulher trans. O parlamentar afirmou que partidos de esquerda estão tentando prejudicar a defesa de pautas femininas.

“A Comissão da Mulher não pode ser desvirtuada, não pode se resumir a uma discussão ideológica porque temos agora uma mulher trans. Ficam aqui os meus votos para que a Câmara Federal coloque uma mulher por completo à frente da Comissão”, disse.     

TRANS – Joel da Harpa se opôs à escolha de Erika Hilton para presidir a Comissão da Mulher da Câmara. Foto: Roberto Soares

Dani Portela (PSOL) solicitou questão de ordem e acusou o parlamentar de transfobia. A parlamentar argumentou que o Plenário não pode ser usado para divulgação de discursos de ódio. “Não use essa tribuna para aprofundar um discurso de ódio que aumenta os números de feminicídio. Somos o país que mais mata corpos como o de Erika há 15 anos”, concluiu. 

História

Em outro momento, Dani Portela repudiou o Projeto de Lei Federal n° 1007/2025, de autoria da deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE), que torna voluntária a participação no estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio.

A parlamentar classificou a iniciativa como retrocesso. “O discurso da deputada Clarissa Tércio reproduz e aprofunda desigualdades. Não podemos permitir que a escola seja um local de desrespeito, silenciamento e apagamento histórico de populações e povos fundamentais para nossa existência enquanto brasileiros”, afirmou.

EDUCAÇÃO – Dani Portela repudiou o projeto que quer tornar opcional a história afro-brasileira. Foto: Roberto Soares