
LAÇOS– Ato homenageou trajetória artística e a relação afetiva e cultural da artista com Pernambuco. Foto: Roberta Guimarães
A Alepe concedeu, na noite de segunda (15), o título de cidadã pernambucana para a atriz e apresentadora Regina Casé. A entrega da honraria foi feita a partir de uma proposição do deputado Waldemar Borges (MDB). Na mesma reunião solene, a artista recebeu da Câmara Municipal do Recife o título de cidadã recifense, conforme proposta do vereador Eriberto Rafael (PSB).
As homenagens reconhecem a trajetória artística de Regina Casé e sua relação histórica, afetiva e cultural com o estado e com a capital. Ao justificar a homenagem, Waldemar Borges ressaltou o significado do título e o compromisso da atriz em ampliar a visibilidade nos meios de comunicação das manifestações culturais historicamente marginalizadas.
“A cidadania não é apenas um papel assinado, um diploma na parede, uma formalidade burocrática. A verdadeira cidadania é um estado de espírito. É quando a alma de uma pessoa encontra a alma de um lugar”, afirmou o parlamentar. “Regina nasceu no Rio de Janeiro, mas sua bússola sentimental e estética nunca deixou de também apontar para as nossas bandas; ela sempre esteve voltada para o calor, para o afeto e para a verdade do povo nordestino”, emendou.
Agradecimento
Mesmo sendo carioca, Regina Casé mantém vínculos familiares com Pernambuco. A artista é neta de Ademar Casé, natural de Belo Jardim (Agreste Central), pioneiro da radiofonia comercial no Brasil e um dos responsáveis pela implantação da televisão no país. A relação foi lembrada durante a solenidade como parte da história da comunicação brasileira.

TRAJETÓRIA – Regina Casé destacou a influência da cultura popular pernambucana em sua formação. Foto: Roberta Guimarães
Ao receber os títulos, a homenageada destacou a relação afetiva com o estado e a influência da cultura popular pernambucana em sua formação artística e pessoal. “Do velho Casé, herdei a paixão pela arte, pela música, pelo rádio, pela TV e, principalmente, pelo trabalho. Ele é o meu Nordeste”, expressou.
“Sempre me senti nordestina e nunca deixei de ser pernambucana. Não estou me tornando, eu já sou. Ao longo de 40 anos viajando pelo Sertão e pelo Agreste, muitas mulheres e histórias passaram a morar em mim. Receber esses títulos é também agradecer a esse povo que hoje posso chamar de conterrâneo”, prosseguiu a atriz.
Biografia
Com quase 50 anos de carreira, Regina Casé construiu uma trajetória marcada pela atuação no teatro, no cinema e na televisão, participando de obras como Que horas ela volta? e Amor de mãe, além de idealizar e conduzir projetos como os programas televisivos Esquenta! e Central da Periferia, referências na valorização da cultura popular e periférica no país.
A cerimônia foi presidida pelo deputado João Paulo (PT) e contou com discurso do vereador Eriberto Rafael. Em uma mensagem de vídeo, o prefeito do Recife João Campos destacou a importância da homenagem e a contribuição da artista para a cultura brasileira e nordestina.
As apresentações culturais foram feitas pelo grupo Maracatu Cabra Alada, pelo Coral Vozes de Pernambuco e pelos músicos Maiara Dias, Danilo Oliveira e Mário Mendes. Entre outras autoridades e convidados, estiveram presentes a secretária de Cultura do Recife, Milu Megale; o presidente da Fundação de Cultura do Recife, Marcelo Canuto; a cantora Michelle Melo e o marido da homenageada, o cineasta Estevão Ciavatta.