Plenário: parlamentares debatem prisão de Bolsonaro

Em 24/11/2025 - 18:35
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A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro repercutiu na reunião plenária desta segunda (24). A medida foi decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no último sábado (22), após uma tentativa de violação da tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. Na manhã desta segunda, a decisão foi mantida pela primeira turma do STF. Enquanto parlamentares petistas comemoraram a prisão, integrantes do PL defenderam o ex-presidente.

O primeiro a tratar do tema foi João Paulo (PT). O parlamentar relembrou as ações que resultaram na abertura do processo e afirmou que a prisão simboliza uma resposta da democracia a um projeto autoritário.

BOLSONARO – João Paulo repercutiu a prisão do ex-presidente. Foto: Roberto Soares

“Não se trata de vingança, mas de justiça. Não é perseguição, é estado de direito em funcionamento. Que a prisão de Bolsonaro seja lembrada como o fim de um ciclo de ameaça autoritária e o início de um compromisso renovado com a democracia. Viva a democracia, Bolsonaro nunca mais!”, declarou.

Já a deputada Rosa Amorim (PT) destacou que a prisão de Bolsonaro é resultado de seus atos contra a população brasileira, como as mais de 700 mil vidas perdidas na pandemia da covid-19 e o retorno do País ao Mapa da Fome durante seu mandato. Ela ainda posicionou-se contra a anistia e garantiu que a prisão do ex-presidente é justa e democrática.

CRIMES – Rosa Amorim comentou a prisão de Bolsonaro. Foto: Roberto Soares

“Em um país democrático, não existe cidadão acima da lei. As instituições devem funcionar contra qualquer um que ataque o povo brasileiro, principalmente contra um ex-presidente que tentou destruir o Brasil. Precisamos superar a era dos conspiradores, daqueles que tentaram sequestrar o País, destruir a Constituição e impedir o povo de escolher o seu futuro”, afirmou.

Doriel Barros (PT) também repercutiu a prisão do ex-presidente. Segundo o parlamentar, Bolsonaro cometeu uma sequência de crimes ao longo dos anos, e o episódio da tornozeleira eletrônica foi um ato deliberado, cometido com plena consciência de que se tratava de uma ilegalidade. Para Barros, houve diversas situações em que o ex-presidente atacou a democracia, como quando colocou em dúvida a segurança das urnas e utilizou a máquina pública como arma ideológica. 

REPERCUSSÃO – Doriel Barros destacou os crimes cometidos por Bolsonaro. Foto: Roberto Soares

O deputado criticou qualquer tentativa de anistia e afirmou que é fundamental que a lei seja aplicada sem privilégios. “Não podemos admitir comportamentos criminosos e antidemocráticos. A lei vale para todos, parlamentares, cidadãos e ex-presidentes. Ninguém está acima das regras que protegem a democracia”, defendeu.

Em contraponto, Coronel Alberto Feitosa (PL) afirmou que Bolsonaro sofre perseguição da Justiça brasileira, assim como seus familiares e seguidores. O deputado repudiou a prisão do ex-presidente e questionou a rapidez da decisão, que teria sido tomada pouco tempo depois da detecção de dano na tornozeleira. “Quisera eu que a Justiça funcionasse com essa velocidade para resolver as demandas dos brasileiros. Uma prisão preventiva para um preso doente de 70 anos que estava com tornozeleira eletrônica e sob a vigilância de câmeras e agentes da Polícia Federal e da Polícia Penal do Distrito Federal. Que capacidade de fuga tinha esse preso que, depois de ter trocado a tornozeleira, voltou a dormir sob efeitos de medicamentos?”, indagou. 

PERSEGUIÇÃO – Coronel Alberto Feitosa denunciou injustiças contra Bolsonaro e família. Foto: Roberto Soares

O parlamentar disse acreditar que a prisão de Bolsonaro seria uma forma de encobrir fatos como o escândalo do Banco Master, que teria vinculação com políticos defendidos pelo escritório advocatício da família do ministro Alexandre de Moraes. Ele também cobrou celeridade em outros processos, como a fraude no INSS.

Sargentos

Coordenador da Frente Parlamentar que acompanha a implantação da Escola de Sargentos em Pernambuco, Renato Antunes (PL) relatou participação, nesta manhã, em encontro sobre o empreendimento na Fiepe. O deputado elogiou o evento e destacou os benefícios do projeto, como a requalificação da rodovia PE-27, a geração de 36 mil empregos e os investimentos logísticos em água, moradias e escolas para a região.

Antunes ainda mencionou a redução do desmatamento inicialmente previsto na área, passando de 400 para 48 hectares a serem suprimidos. “Não há instituição no País que mais protege o meio ambiente que o próprio Exército”, pontuou.

EXÉRCITO – Renato Antunes relatou participação em evento sobre a Escola de Sargentos. Foto: Roberto Soares

O parlamentar fez um reconhecimento à governadora Raquel Lyra, ao ministro da Defesa José Múcio e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, “responsável por escolher Pernambuco como sede da nova Escola de Sargentos”. Também aproveitou o discurso para expressar “solidariedade diante das injustiças que o ex-presidente vem enfrentando”. 

“É evidente que ele sofre perseguições políticas que ultrapassam o debate democrático”, afirmou Antunes. “Mas o legado de Bolsonaro permanece, a decisão de trazer para Pernambuco a maior escola de sargentos da América Latina é prova disso.”

Água

Cayo Albino (PSB) cobrou do Governo do Estado explicações e soluções imediatas para a constante falta de água em Garanhuns (Agreste Meridional), destacando que o problema persiste há anos sem qualquer avanço significativo. Segundo o parlamentar, o abastecimento demora a chegar, mas a cobrança ao cidadão é feita de forma efetiva.

“Garanhuns fica de fora mais uma vez. Nenhuma obra, nenhum projeto, nenhum centavo anunciado especificamente para resolver a falta de água que maltrata a nossa gente todos os dias. Resultado: revolta, manifestações, escolas com dificuldade para funcionar, postos de saúde prejudicados, famílias vivendo de caminhão-pipa, agricultores perdendo sua produção e tantos outros casos. É um desrespeito, é um abandono, é como se o Agreste Meridional não estivesse no radar do Governo”, afirmou.

O parlamentar lembrou ainda investimentos feitos em 2020 em adutoras para ampliar o sistema de abastecimento em Garanhuns. Porém, segundo o deputado, desde 2023 as obras seguem paradas. Além disso, ele denunciou que tubulações do empreendimento estariam sendo retiradas e levadas para outro local sem qualquer explicação, o que, de acordo com Albino, compromete ainda mais a conclusão do projeto. Ele cobrou investigação e transparência sobre o caso.

GARANHUNS – Cayo Albino cobrou a inclusão da cidade no mapa de investimentos do Governo. Foto: Roberto Soares

Educação

Socorro Pimentel (União) comemorou os resultados do Prêmio Idepe 2024, destacando a excelência da educação pública no Sertão do Araripe. A parlamentar ressaltou que o Idepe é, mais do que um mero índice, um espelho da capacidade do Estado de transformar vidas.

Pimentel noticiou que a Gerência Regional de Educação (GRE) do Sertão do Araripe conquistou o primeiro lugar na categoria Crescimento no Idepe no 3º ano do ensino médio. A deputada parabenizou a gerente Rosa Rodrigues, enfatizando que o êxito é fruto de planejamento e do compromisso real com estudantes e professores.

IDEPE – Socorro Pimentel destacou os resultados da educação no Sertão do Araripe Foto: Roberto Soares

A parlamentar destacou também o desempenho da Escola Técnica Estadual (ETE) Pedro Muniz Falcão, em Araripina, premiada com o primeiro lugar em desempenho do 3º ano do ensino médio entre as escolas técnicas. Pimentel elogiou o gestor Ricardo Jacó e toda a equipe, afirmando que a ETE se tornou uma referência para Pernambuco.

Segundo a deputada, quando o Governo do Estado investe com responsabilidade e os gestores locais fazem sua parte, a educação avança. “O Sertão está mostrando que pode liderar indicadores estaduais, e que capacidade, talento e esforço não têm localização geográfica”, declarou.

COP 30

No tempo de liderança, João Paulo voltou à tribuna para repercutir os resultados da COP 30 em Belém (PA) e como eles impactam Pernambuco. O parlamentar afirmou que Belém não é apenas um símbolo da Amazônia, mas o local onde o Brasil costurou caminhos para proteger vidas e promover a transição energética justa. O resultado mais tangível da conferência foi o Pacote de Belém, um conjunto de instrumentos para colocar a vida e a justiça social no centro da ação climática, e que precisa ser transformado em política pública em Pernambuco.