
ALTERNATIVAS – Debate reuniu moradores, entidades e representantes da gestão estadual. Foto: Anju Monteiro
Moradores da Região Metropolitana do Recife (RMR) e entidades sociais cobraram das prefeituras e do Governo do Estado garantias de habitação para famílias que tiverem casas removidas por causa das obras na bacia do Rio Tejipió. A demanda foi apresentada durante debate promovido nesta segunda (3) pela Frente Parlamentar em Defesa do Rio Tejipió, da Alepe.
Uma das comunidades às margens do Tejipió que pode ser afetada pelas remoções é Sapo Nu, localizada no Curado, ao lado da BR-232 e na divisa entre Recife e Jaboatão dos Guararapes. O local foi um dos mais atingidos pelas enchentes de 2022.
De acordo com informações repassadas aos moradores, a Prefeitura do Recife pretende reassentar as famílias para construir uma área de retenção das águas do Tejipió. Os moradores, porém, afirmam que o processo ocorre sem diálogo e que não há previsão de entrega de novos imóveis, mas apenas pagamento de auxílio-moradia.

INCERTEZAS – Moradora de comunidade no Curado, Eduarda Patrícia cobrou diálogo da Prefeitura do Recife. Foto: Anju Monteiro
“A gente não sabe como isso vai funcionar, quanto tempo vamos passar recebendo auxílio moradia, quando vai sair o apartamento… esse é o ponto de interrogação que a comunidade ainda tem, e não temos nenhuma resposta ou diálogo com a Prefeitura do Recife”, relatou Eduarda Patrícia, moradora da comunidade Sapo Nu.
Os moradores da bacia criaram o Fórum Popular do Rio Tejipió (Forte), que defende a participação também do Governo do Estado e das prefeituras de Jaboatão dos Guararapes e São Lourenço da Mata nas discussões sobre soluções para a região.
Estado
Representantes de organizações não governamentais, como a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) e o Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec), pediram maior envolvimento do Governo do Estado nas tratativas com as comunidades da bacia.
As entidades e moradores defenderam que as soluções sejam planejadas de forma integrada, contemplando todo o percurso do Rio Tejipió e não apenas municípios individualmente. Uma das propostas discutidas foi deslocar a área de contenção para trechos mais altos do rio, em Jaboatão ou São Lourenço da Mata, o que poderia evitar a remoção total da Comunidade Sapo Nu.
Presente na audiência, o secretário executivo de Periferias do Governo do Estado, Pedro Ribeiro, afirmou que as zonas limítrofes entre municípios são prioridade da gestão estadual. Ele citou projetos em andamento, como o muro de contenção em Jardim Monte Verde (entre Recife e Jaboatão) e a dragagem e criação de parque linear na bacia do Rio Beberibe, em Peixinhos (entre Olinda e Recife).
Segundo Ribeiro, essas iniciativas têm sido desenvolvidas em diálogo com as comunidades e podem servir de modelo para situações semelhantes à da Sapo Nu.
“Por mais competentes que sejam nossos arquitetos, engenheiros e toda a equipe técnica do Governo, quem sabe o que é viver às margens do rio é quem mora lá. As soluções para aqueles territórios precisam, antes de tudo, serem construídas com aquelas pessoas”, defendeu.
Ausências

COORDENADOR – João Paulo (ao microfone) defendeu participação popular nas intervenções previstas para a bacia.
Foto: Anju Monteiro
O coordenador da Frente Parlamentar, deputado João Paulo (PT), criticou a ausência das prefeituras envolvidas na discussão. Ele informou, ainda, que o grupo parlamentar espera respostas oficiais do Governo do Estado em relação às intervenções na bacia do Tejipió.
“Nós fizemos um pedido de informação ao Governo do Estado. Pretendemos fazer uma próxima reunião lá em Tejipió, na própria comunidade, para que os informes deste pedido de informação sejam apresentados a quem mora lá”, anunciou João Paulo. Também participou da audiência a deputada Rosa Amorim (PT), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alepe.