O futuro do metrô do Recife foi debatido na Alepe, nesta segunda (20), em audiência pública convocada pela Comissão de Administração Pública por solicitação dos deputados João Paulo e Rosa Amorim, ambos do PT. Sindicalistas, trabalhadores e parlamentares reafirmaram posicionamento contrário a qualquer tipo de privatização.

CONCESSÃO – Sindicalistas, trabalhadores e parlamentares são contra. Foto: Nando Chiappetta
A CBTU Recife foi incluída no Programa de Parceria de Investimentos do Governo Federal e, em maio deste ano, foi publicada no Diário Oficial a autorização para o início do processo de concessão à iniciativa privada. Assim, bens imóveis e ativos da União devem ser transferidos para o Governo de Pernambuco.
Presidente do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE), Luiz Soares considera que a privatização causará o aumento da tarifa, não garantirá a qualidade do serviço e diminuirá a fiscalização. Ele citou exemplos como o da Inglaterra, que está reestatizando o transporte ferroviário.
O sindicalista acredita que, com os recursos necessários, os empregados são capazes de reerguer a empresa. “A gente quer um transporte de qualidade. Temos uma categoria comprometida e altamente eficiente, capaz de recuperar o metrô imediatamente. A gente precisa dos recursos, mas, desde 2017, não tem investimento suficiente e foi cortada a verba de custeio. O sistema vem funcionando precariamente”, relatou Soares.
Financiamento

INVESTIMENTO – Para o gerente da CBTU Adalberto Siqueira, sistema precisa de recursos para melhorar serviços. Foto: Nando Chiappetta
A redução da velocidade devido ao desgaste dos trilhos e a paralisação aos domingos para reparos são consequências do subfinanciamento dos últimos anos, de acordo com o gerente regional de Manutenção da CBTU, Adalberto Nunes de Siqueira.
“O Metrô do Recife precisa, urgentemente, receber recursos adequados, para que a gente possa melhorar os serviços prestados à sociedade pernambucana, principalmente no que se refere à segurança do sistema e dos nossos usuários”, observou o gestor.
Para o superintendente interino da CBTU Recife, Pedro Duarte, o corpo técnico da empresa é altamente capacitado e “apto a elevar a qualidade do serviço, seja qual for o modelo de financiamento escolhido”.
O secretário executivo de Mobilidade Urbana, Pedro Neves, afirmou que o Governo de Pernambuco vem acompanhando os estudos sobre o metrô e citou tratativas com a Universidade Federal de Pernambuco para elaborar o plano de mobilidade da Região Metropolitana do Recife.
Ainda participaram da mesa de debates o presidente do Sindicato dos Ferroviários do Nordeste, Luiz Cláudio; a diretora técnica da CBTU, Adriana Fonseca Lins; e o representante da CUT Pernambuco, Hélcio Alfredo. Na plateia, os metroviários ganharam o apoio de trabalhadores da Compesa e do setor petroleiro.

TRANSPORTE – João Paulo quer metrô como “ponto de partida para tarifa zero no Estado”. Foto: Nando Chiappetta
Tarifa zero
O deputado João Paulo leu uma carta que defende o Metrô do Recife como um patrimônio público e sugere que ele seja o ponto de partida para implantar a tarifa zero no Estado. O documento foi assinado durante a reunião e deve ser entregue ao presidente Lula. O parlamentar acredita na viabilidade econômica de recuperar o transporte ferroviário.
“Temos R$ 50 bilhões em emendas parlamentares, mas precisaríamos apenas de R$ 2,2 bilhões para recuperar o metrô. Essa conta não pode ser transferida, mais uma vez, para a população”, opinou o petista.
Também Rosa Amorim se contrapôs ao discurso de que para modernizar é preciso privatizar. “Quem vive do lucro não acorda pensando em mobilidade digna, mas em rendimento. Não pensa em garantir acesso, pensa em garantir dividendos. Nós aqui defendemos o contrário.”
Já a deputada Dani Portela (PSOL) mencionou os estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro como exemplos de tarifas altas e demissões em massa após a privatização.