Anticapacitismo marca Semana da Pessoa com Deficiência

Em 25/08/2025 - 17:41
-A A+

LUTA – Programação do Alepe Anticapacitista inclui debates, exposições e serviços gratuitos. Foto: Nando Chiappetta

A 1ª Semana da Pessoa com Deficiência da Alepe começou nesta segunda (25) com painéis, exposições e atividades que pautaram a importância da luta anticapacitista. As atividades são comandadas pela Comissão de Defesa da Pessoa com Deficiência e Atipicidades.

Além de marcar a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, que ocorre de 21 a 28 de agosto conforme a Lei federal 13.585/2017, a ação “Alepe Anticapacitista” celebra, nesta edição, os dez anos da Lei Brasileira de Inclusão (LBI)

Presidente da Comissão, o deputado Gilmar Júnior (PV) se pronunciou sobre a importância de se ampliar o debate na sociedade. “Não lutamos apenas por quem tem deficiência, mas também por seus pais, familiares e amigos. A reverberação da atipicidade atinge toda a família. Por isso, precisamos lutar pela equidade”, afirmou.

 

Capacitismo

O capacitismo é o preconceito direcionado a pessoas com deficiência e se manifesta quando são tratadas como inferiores. Essa discriminação acontece por meio de palavras, atitudes e também na falta de acessibilidade arquitetônica em ambientes comuns da sociedade. 

A luta contra essa prática busca garantir direitos, acessibilidade, inclusão e respeito, promovendo a ideia de que todas as pessoas têm valor, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sensoriais ou mentais.

REDES – Raíssa Maria apresentou estratégias para tornar o ambiente digital mais acessível. Foto: Nando Chiappetta

Entre os painéis apresentados, a advogada e especialista em direito da saúde, Viviane Guimarães abordou o tema A história do capacitismo”. Para ela, o preconceito é estrutural e deve ser combatido desde cedo. “Se queremos um futuro anticapacitista, precisamos educar para a diversidade e inclusão. Também é essencial promover uma cultura anticapacitista em todos os espaços”, defendeu.

Na sequência, as palestrantes Dani Rorato e Raíssa Maria discutiram como tornar a comunicação digital acessível, trazendo técnicas e estratégias de adaptação no ambiente online. “A gente não é nada, se não tiver respeito, empatia e olhar humano”, acentuou Raíssa, que preside o Coletivo da Diversidade PcD da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). “A comunicação é transformadora e abre portas”, prosseguiu. 

Servidores

À tarde, houve palestras voltadas para servidores da Casa: a procuradora da Alepe Juliana Salazar abordou os dez anos da LBI, enquanto a secretária executiva da Superintendência de Saúde e Medicina Ocupacional (SSMO) Marina Cantarelli tratou da inclusão no ambiente de trabalho.

CIDADANIA – Juliana Salazar defendeu participação de pessoas com deficiência na formulação de políticas. Foto: Manu Vitória

Para Juliana, após dez anos de sua criação, a LBI ainda não é plenamente cumprida. “A deficiência não afeta a capacidade plena e civil das pessoas. Aqui na Casa, ao legislar sobre os direitos assegurados por essa norma, chamamos as pessoas que serão beneficiadas ou estamos, mais uma vez, falando por elas?”, refletiu a procuradora, que é mãe atípica. O superintendente de Recursos Humanos da Alepe, Bruno Pereira, destacou a dedicação de Juliana na defesa da acessibilidade.

Superintendente geral da Casa, Aldemar Santos anunciou a criação de um grupo de trabalho para debater o tema no campo laboral e reforçou o compromisso da Casa em enxergar a acessibilidade para além das adaptações de espaços físicos: “A acessibilidade é muito confundida com a questão da obra. Inicialmente, encontrei um ritmo mais lento do que esperava, pois o tema era tratado mais como um desafio orçamentário e estrutural, quando, na verdade, existem situações que podemos começar a tratar”, ressaltou.

Outras ações

EXPOSIÇÃO – Artesã Camila Basílio apresentou mandalas e poesias. Foto: Nando Chiappetta

Além dos painéis realizados nos auditórios Sérgio Guerra e Ênio Guerra, o Hall do Anexo I recebeu a exposição Mandalas e Poesias, da artista plástica e escritora Camila Basílio, e uma mostra fotográfica do gaúcho Nicholas Filinkoski, ambos com Síndrome de Down. Também foi oferecido atendimento gratuito de massoterapia por profissionais com deficiência visual da Associação Pernambucana de Cegos (Apec).

A programação gratuita segue até a próxima quinta (28), com seminários, homenagens, apresentações culturais e lançamentos literários.