
DADOS – Alberto Feitosa se disse “perplexo com os números de mortes confirmadas, quando comparados aos de outros Estados brasileiros”. Foto: Reprodução/Nando Chiappetta
O deputado Alberto Feitosa (PSC) fez críticas, na Reunião Plenária desta quinta (30), às ações do Governo do Estado e da Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) no enfrentamento à pandemia de Covid-19. O parlamentar se disse “perplexo com os números de mortes confirmadas, quando comparados aos de outros Estados brasileiros”. Por sua vez, o líder do Governo, deputado Isaltino Nascimento (PSB), declarou que “é o Brasil quem está sendo motivo de críticas e chacota mundial, não Pernambuco nem a Capital”.
De acordo com Feitosa, a taxa de mortalidade pelo novo coronavírus no Recife é de 131 por milhão, superior à dos Estados de São Paulo (51/milhão), Rio de Janeiro (46/milhão), Ceará (50/milhão) e Amazonas (95/milhão). E, na comparação por Estado, Pernambuco, com 59 mortes por milhão, tem a segunda maior taxa, à frente de São Paulo (51) e Ceará (50). O deputado do PSC acentuou também que, em números absolutos, Pernambuco identificou 538 mortes provocadas pela doença, acima de Estados com população maior, como Bahia (96), Rio Grande do Sul (50) e Minas Gerais (80).
O parlamentar avaliou que as administrações do Recife e do Estado não demonstram capacidade de gerenciar a crise. Ele reforçou críticas a aglomerações em espaços como o do Ceasa, nos transportes públicos e na porta de escolas de rede municipal. Também apontou problemas no atendimento à população em situação de rua, além da falta de orientação e de distribuição de equipamentos de proteção. “Estamos perdendo vidas devido à incompetência clara, que os números vêm mostrando”, expôs. “Pernambuco ficará conhecido como a capital do novo coronavírus no Nordeste”, prosseguiu.
Feitosa criticou, ainda, “medidas atabalhoadas” que teriam provocado quebra de empresas e perda de empregos. “A gestão trabalha sem planejamento, estratégia e inteligência”, acredita, lamentando também o aumento do número de homicídios no Estado. Para ele, o prefeito Geraldo Julio tenta transferir ao Governo Federal a responsabilidade pelos problemas. Em aparte, Antonio Fernando (PSC) considerou importante o debate levantado pelo correligionário, mas ponderou: “Talvez devêssemos trazer sugestões para melhorar o atendimento aos pacientes e à sociedade e deixar as críticas para depois”.

COLABORAÇÃO – Líder da Oposição, Marco Aurélio Meu Amigo disse ter buscado, sem sucesso, audiência com o prefeito do Recife. Foto: Reprodução/Nando Chiappetta
Líder da Oposição, Marco Aurélio Meu Amigo (PRTB) frisou ter buscado, sem sucesso, uma audiência com o prefeito do Recife para encaminhar propostas. Ele criticou a falta de distribuição de equipamentos de proteção, pelo Estado e Prefeitura, para profissionais de saúde, segurança pública, serviços gerais e limpeza urbana. Ainda fez ressalva aos locais escolhidos para os hospitais de campanha, como o bairro dos Coelhos (região central), em vez áreas isoladas. “O prefeito expõe ainda mais a população, colocando hospitais de campanha em comunidades onde as pessoas não têm nem água para lavar as mãos”, afirmou.
Também em aparte, o deputado Wanderson Florencio (PSC) propôs que servidores comissionados do Estado e do município sejam mobilizados para ações em porta de bancos, entrega de cestas básica e vacinação. Ao comentar os dados citados por Feitosa, Antônio Moraes (PP), por sua vez, alertou para a possibilidade de subnotificações em outros Estados.
Resposta – Em outro discurso no Grande Expediente, o líder do Governo, Isaltino Nascimento, condenou a postura de Jair Bolsonaro diante da pandemia e fez uma retrospectiva das declarações do presidente contrárias ao isolamento social.
“Quando o Brasil registrou 11 mortes, Bolsonaro disse se tratar de uma ‘gripezinha’. Com 220 óbitos, falou em ‘medinho’. Ao atingirmos 1.230 falecimentos, declarou que a pandemia estava indo embora do País e, com 2.538, disse não ser coveiro. No momento em que ultrapassamos 5 mil vítimas, afirmou: ‘E daí, eu não faço milagres'”, relembrou o socialista. “Fica, ainda, constantemente, fazendo ações para desconstruir as orientações de governadores e prefeitos”, acrescentou.

DEFESA – Segundo Isaltino Nascimento, “é o Brasil que está sendo motivo de críticas e chacota mundial, não Pernambuco nem a Capital”. Foto: Giovanni Costa
O parlamentar acredita que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de declarar Estados e municípios como os entes competentes para estabelecer medidas de isolamento foi essencial para evitar danos maiores à população. “Se não fosse essa iniciativa, bem como a responsabilidade do governador Paulo Câmara, do prefeito do Recife e de outras localidades que instituíram o isolamento, estaríamos em situação ainda mais complicada porque falta estratégia, competência e planejamento do Governo Federal’’, opinou.
Por fim, Nascimento leu recomendação do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) para utilização do Escore Unificado para Priorização (EUP-UTI) de acesso a leitos de terapia intensiva, assistência ventilatória e paliação, como meio de hierarquização da gravidade dos pacientes, na ausência absoluta de leitos suficientes para atender à demanda terapêutica. “Só confirma que a realidade é muito grave”, analisou.
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