
TRIBUNA – “Foram palavras de uma morbidez que nos fazem pensar se aquelas pessoas não têm mães, irmãs, filhas ou amigas”. Foto: Alepe
Ato em apoio a um candidato à Presidência da República ocorrido no último domingo (23), na Avenida Boa Viagem (Zona Sul do Recife), mereceu repúdio da deputada Teresa Leitão (PT), em pronunciamento na Reunião Plenária desta segunda (24). Durante a passeata, um trio elétrico tocou música que, entre outras ofensas, comparava mulheres a cadelas.
“Nós fomos vergonhosamente atacadas”, disse a parlamentar. “Muito me constrange que as ruas da nossa cidade tenham sido palco de tamanha insensatez. Foram palavras de uma morbidez que nos fazem pensar se aquelas pessoas não têm mães, irmãs, filhas ou amigas”, continuou. “Deixo aqui meu mais veemente repúdio a esse episódio e peço a cada um que se revolte contra isso.”
O deputado Edilson Silva (PSOL) se somou aos protestos. Para ele, os fatos são “deprimentes e inaceitáveis por quem defende um mínimo de civilidade”. “É preciso que esta Casa se posicione contra esse absurdo, que tem o mesmo DNA dos atos de misoginia durante o ‘Fora Dilma’. É uma escalada de desrespeito”, afirmou.
Também nesta segunda, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alepe lançou Nota de Repúdio à reprodução da música citada pelos parlamentares. Assinam o documento a presidente do colegiado, deputada Simone Santana (PSB), e os membros Aluísio Lessa (PSB), Edilson Silva e Teresa Leitão. “Não há justificativa para tal comportamento. Não há lugar para manifestações políticas machistas e misóginas, seja de que partido ou candidato for”, diz o texto. Veja abaixo o conteúdo na íntegra.
Agressão em bar – Teresa Leitão ainda aproveitou o tempo na tribuna para lamentar outro ato de violência ocorrido no contexto da campanha eleitoral. A parlamentar comentou o caso em que o artista plástico Paulo Brusky sofreu agressões físicas em um bar, também no Recife, após ter feito discurso de tom político. “Esta campanha, que deveria ser um momento de confronto de ideias, está em um nível de hostilidade absurdamente inaceitável”, pontuou a petista.
NOTA DE REPÚDIO
A capital pernambucana ganhou destaque nacional neste domingo (23) após ter sido palco de manifestações de ódio contra as mulheres com posicionamento político de esquerda.
Durante o evento “Marcha da Família”, que reuniu centenas de pessoas na Avenida Boa Viagem, manifestantes entoaram música com conteúdo machista, linguajar chulo e violento – o que não contribui para o debate propositivo e acentua a polarização política que vivemos neste período eleitoral.
Diante da repercussão, e de suas consequências, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Pernambuco se sente na obrigação moral de formalizar seu repúdio à propagação da referida música, que compara mulheres a “cadelas”.
Este colegiado é suprapartidário, e foi criado com o intuito de defender os direitos das pernambucanas e de combater todos os tipos de violência contra as cidadãs, incluindo a agressão verbal, moral e psicológica. Sabemos que o ciclo da violência contra a mulher é impulsionado pela cultura machista, que se manifesta por meio de pensamentos e palavras de ódio capazes abalar as mulheres psicologicamente e induzir à violência física, muitas vezes culminando no feminicídio.
O Brasil, e Pernambuco não foge à regra, já conta com índices absurdos de violência contra as mulheres. Não precisamos de fatos novos com potencial para agravar este cenário já inadmissível.
Não há justificativa para tal comportamento. Não há lugar para manifestações políticas machistas e misóginas, seja de que partido ou candidato for. As mulheres não podem ser tratadas como uma piada e exigem respeito.
COMISSÃO DE DEFESA DOS DIREITOS DA MULHER
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE PERNAMBUCO
24 DE SETEMBRO DE 2018
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