O impasse na greve dos trabalhadores em educação da rede pública estadual voltou a ser debatido, à tarde, na Assembléia Legislativa. Depois de mais uma tentativa para a reabertura das negociações, os professores decidiram permanecer no Plenário até terem uma perspectiva concreta para uma nova reunião da comissão de negociação com os secretários estaduais Mozart Ramos (Educação), Maurício Romão (Administração e Reforma do Estado) e Mozart Siqueira (Fazenda).
Até o fechamento desta edição, cerca de 30 servidores permaneciam nas galerias do Plenário.
Na tribuna da Casa, a deputada Teresa Leitão (PT) criticou a negativa dos secretários de apresentarem uma proposta concreta que viabilize o fim da greve.
Ela rebateu a nota oficial publicada pelo Governo do Estado nos jornais de ontem, afirmando que não houve resposta devida aos 35 itens da pauta de negociações. “Se não fosse uma categoria que trabalha justamente com as ações de ler e escrever, só podemos pensar que os secretários e o Governo pensam que somos malucos”, afirmou a parlamentar.
Teresa Leitão disse que o Executivo está desrespeitando o Sintepe e os professores com ameaças e práticas que desrespeitam a liberdade de sindicalização, ao tentar suspender, em folha, os descontos para a instituição.
“São métodos da época do Regime Militar, que o governador Jarbas Vasconcelos disse que combatia”, completou.
Em apartes, os deputados Moisés Filho (PL), o líder da Oposição, Sérgio Leite (PT), e Sílvio Costa (PMN) se solidarizaram com Teresa Leitão, lembrando que educação deveria ser prioridade do Governo. Os parlamentares cobraram do Executivo uma administração mais eficiente no trato com os recursos da educação, assegurando condições mais dignas para os servidores.
Também em apartes, os governistas Bruno Araújo (PSDB), líder da bancada, Ricardo Teobaldo (PMDB), vice-líder, e Maviael Cavalcanti (PFL) justificaram que o Governo e todos os deputados têm o interesse de melhorar a situação dos profissionais do ensino, mas as intenções “esbarram nos limites legais, dificuldade também enfrentadas pelos governantes petista, como o prefeito João Paulo (Recife) e o presidente Lula da Silva”.
Na condição de ex-secretário estadual de Educação, o deputado Raul Henry (PMDB) também apresentou suas justificativas em aparte. “Fiquei encarregado de fazer os contatos com os secretários, mas só consegui falar com Maurício Romão, que ficou de marcar a data da reunião”, afirmou Henry, apelando para o bom senso dos servidores. “Os salários dos professores são muito baixos porque a realidade atual não permite alterá-los, e essas limitações atingem, sem distinção, os Municípios, os Estados e a União”, salientou.
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