O deputado Raul Henry (PMDB) fez, ontem, uma análise da situação da educação pública no Estado e no País. Ele lamentou os índices que constatam a crise na educação brasileira e destacou a necessidade de investimentos na área para combater as desigualdades sociais. “O Brasil é a 13ª economia do mundo, mas, apesar disso, possui 35% da sua população abaixo da linha de pobreza e tem a menor escolaridade média da América Latina. É importante destacar a necessidade de se investir em políticas compensatórias, mas só a educação pode reverter, estruturalmente, as desigualdades sociais do nosso País”, resumiu.
O parlamentar destacou alguns dos projetos implantados pela gestão de Jarbas Vasconcelos voltados para a melhoria do ensino público, como a adoção da gestão democrática para a escolha dos diretores das escolas estaduais; o investimento de cerca de R$ 7 milhões em programas de capacitação; a implementação do Plano de Cargos e Carreiras dos professores; e o projeto de informatização das escolas, que “foi premiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia como o melhor do País”.
De acordo com ele, o governador buscou, inicialmente, desenvolver uma política voltada para a valorização do servidor, mas “apesar das melhorias desenvolvidas, ainda há muito o que fazer”. “Pernambuco não é uma ilha, não está isolado do restando do País e não poderia estar fora da realidade.
Conseguir dotar as escolas públicas de um ensino de qualidade é um grande desafio, não do Estado, mas do Brasil. Todos os investimentos nessa área têm respostas a médio e longo prazos”, esclareceu.
Apartes – O deputado Sílvio Costa (PMN) lamentou a inexistência de programas inovadores para a área e criticou Henry por não ter incentivado, quando foi secretário de Educação, a participação da família no processo de ensino. Já o líder do PT, deputado Isaltino Nascimento, lembrou da falta de atenção do Governo com as escolas indígenas. O deputado Izaías Régis (sem partido) saiu em defesa do peemedebista. Ele respondeu às acusações de Costa, afirmando que foi testemunha do trabalho do então secretário, para levar os pais a participar do processo educacional. “O maior problema do Governo nessa área é a falta de continuidade dos programas implantados pelos secretários anteriores. Cada vez que um secretário assume, decide criar um novo modelo”, retrucou.
A deputada Teresa Leitão (PT) censurou as declarações de Henry e detalhou “uma série de falhas” nos programas do Governo citados pelo parlamentar. “Somente após quatro greves, a categoria dos professores conseguiu a implementação do PCC, que estava previsto em lei desde 1999. O programa de capacitação citado pelo deputado tem uma concepção, além de seletiva, empresarial, com o Governo se detendo apenas aos gestores. Além de que, a gestão escolar representa apenas uma fatia, distorcida, da democracia, já que os diretores adjuntos ainda são indicados por critérios políticos e os diretores precisam, antes de assumirem, ser avaliados pelo Governo”, relacionou.
Também em aparte, o deputado Antônio Moraes (PSDB) pediu aos parlamentares da Oposição que intercedam junto ao Governo Federal para que Pernambuco consiga mais investimentos para a área de educação. Já os deputados Pedro Eurico (PSDB), Betinho Gomes (PPS), Roberto Liberato (PFL) e Augusto Coutinho (PFL) elogiaram o programa de gestão democrática implantado pelo Governo e a “luta de Henry pela educação”. “O modelo de gestão escolar desenvolvido em Pernambuco durante sua gestão à frente da secretaria da Educação, além de dar autonomia financeira às escolas e evitar o inchaço da secretaria, apostou numa concepção democrática do ensino, com a efetiva participação da comunidade”, acrescentou Eurico.
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