O deputado Marcantônio Dourado (PMDB) apresentou, ontem, uma proposta para solucionar “definitivamente” o problema do abastecimento de água do Agreste Meridional e parte do Agreste Central. “A idéia é que as águas do São Francisco sejam captadas em um ponto abaixo da Represa de Xingó, quando a água não é mais usada como fonte de geração de energia elétrica”, expôs o parlamentar.
Para ele, a decisão sobre a realização desse empreendimento não pode ser tomada levando-se em conta, apenas, critérios financeiros, pois a obra deverá regularizar o fornecimento de água potável para mais de meio milhão de pessoas.
“O benefício social dever ser utilizado como critério predominante na análise dessa ação. Estou reivindicando uma obra duradoura, seja através de verba federal ou estadual”, completou.
De acordo com o deputado, a adutora do Agreste Meridional teria um traçado preliminar com as águas sendo captadas no município de Belo Monte, em Alagoas, seguindo em linha reta até Garanhuns, onde seria ligada ao Sistema Biturí, em Lajedo. Desse ponto, as águas seriam invertidas para atender às sedes dos municípios de São Bento do Una, Cachoeirinha, Tacaimbó, São Caetano, Sanharó, Pesqueira e Belo Jardim.
“A adutora, conforme esse traçado, teria cerca de 137 quilômetros de extensão (mesmo comprimento da Adutora do Sertão), de onde derivariam as adutoras complementares”, observou Dourado. Segundo ele, no percurso da adutora principal, seriam atendidos 13 municípios, sete distritos, além de diversos povoados localizados ao longo do traçado.
O deputado fez questão de ressaltar o sofrimento que, “há muito tempo”, os moradores da região vêm sofrendo, decorrente das longas estiagens. Ele aproveitou, também, para falar da sua luta contra a falta de água no Estado, alertando que o índice pluviométrico do Agreste, especialmente o do Meridional, vem diminuindo a cada ano. “A população enfrenta uma das piores crises de abastecimento de sua história”, observou.
Apartes – Sílvio Costa (PMN) considerou oportuna a preocupação do parlamentar, mas fez uma advertência. “Não adianta a base governista reivindicar projetos para o abastecimento de água, pois a arrecadação do Estado está comprometida com amortização de dívidas, folha de pagamento e outras despesas. É preciso que os vocês cobrem do governador Jarbas, já que se investiu mais de R$ 300 milhões no projeto Águas de Pernambuco”, afirmou.
Para Roberto Liberato (PFL), a situação do abastecimento de água, não só na região, como no Estado, “não é fácil, devido às dificuldades financeiras”.
Dourado completou dizendo que, apesar dessa realidade, o Governo Jarbas foi o que mais fez em água no Estado. “Mesmo assim, reconheço que falta mais investimentos” Izaías Régis (PSB) argumentou que o problema é de decisão política, e que a solução não será a utilização dos carros-pipa. “Também não concordo com o uso dos caminhões para resolver a questão, pois irá onerar as prefeituras”, completou Dourado.
Para Ciro Coelho (PFL), a escassez de água se deve a dois fatores: falta de recursos e, principalmente, de planejamento. “Por isso, foi falta de inteligência do Governo extinguir a Secretaria de Recursos Hídricos, já que a Compesa nada faz para melhorar o abastecimento no Estado”, disse.
Maviael Cavalcanti (PFL) afirmou que a situação se alastra desde 1975. “Além de planejamento, falta chuva”, opinou. “Vamos pedir, juntos com a bancada federal, recursos da União para combater a falta de água”, sugeriu Antônio Figuerôa (PMDB).
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