CPI ajuda a desbaratar quadrilhas

Em 17/04/2003 - 00:00
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A CPI do Roubo de Cargas e Tráfico de Drogas já começou a produzir resultados concretos nas investigações sobre as quadrilhas especializadas em roubo de cargas. Segundo informações do relator da comissão, deputado Fernando Lupa (PSDB), a Polícia Civil já conseguiu desbaratar, a partir de denúncias apuradas pela CPI, três grandes grupos que atuavam no Estado. As prisões ocorreram na última sexta-feira (11), em Caruaru e Gravatá; na madrugada de ontem, no Cabo de Santo Agostinho; e na manhã de ontem, no município de Xexéu, na Região da Zona da Mata Sul.

Ontem, os integrantes do colegiado escutaram quatro acusados com o roubo de cargas de combustíveis, inclusive a advogada Jaci Bezerra dos Santos, suspeita de chefiar o grupo que atuava no Cabo, além de três indiciados com receptação de cigarros roubados em Caruaru e Gravatá. Os parlamentares também contaram com os depoimentos e informações extras trazidas pelos delegados João Ferraz, Titular da Delegacia do município de Escada, e César Urach, Titular da Delegacia de Repressão ao Roubo de Cargas, que comandaram a operação no Cabo.

De acordo com os delegados, os quatro acusados foram presos em flagrante na madrugada de ontem na PE-60, na altura da cidade do Cabo, em frente à uma fábrica abandonada, ponto, onde, segundo eles, seria local de entrega da carreta, roubada há poucas horas e recuperada durante a ação, com 30 mil litros de gasolina. Na operação, realizada a partir da denúncia de um comerciante procurado pela advogada para a compra da gasolina, foram detidos em flagrante Vilmar Bento de Araújo, conhecido como Val; Sérgio de Souza; e Cristian Oliveira, conhecido como Cris; além da advogada. Apesar do flagrante e do motorista da carreta ter reconhecido os acusados e o carro da advogada como o utilizado na abordagem, eles negaram, diante da CPI, o envolvimento com o roubo e contaram versões diferentes sobre a ida ao local onde foram presos.

A advogada Jaci Bezerra também negou relação com o crime. Ela alegou ter ido ao Cabo para conversar com Val, que é irmão de José Bento de Araújo, para quem advoga, e estar próxima ao local da apreensão à procura de seu motorista.

Entretanto, os parlamentares constataram, durante seu depoimento, fatos que comprovam sua relação com a quadrilha. O principal deles foi o cruzamento de informações entre seu telefone celular e do comerciante, procurado por ela para comprar o combustível roubado e autor da denúncia à Polícia Civil. Os celulares, entregues pelos delegados aos parlamentares, acusavam a chamada realizada pela advogada e o recebimento da ligação pelo comerciante em horários idênticos aos informados. Além disso, os integrantes da CPI descobriram, anotado na mão da advogada, o número do telefone do comerciante. Os dois fatos contradisseram a acusada, que havia negado, durante os questionamentos dos parlamentares, conhecê-lo.

“Essa é apenas uma parte da quadrilha. Com certeza, a parceria entre a CPI e a Polícia Civil conseguirá chegar até o restante do bando, que é formado por elementos de Escada, do Cabo e do Recife. Será mais uma quadrilha de roubo de cargas desbaratada graças à ação da CPI”, afirmou o vice-presidente do colegiado, deputado Henrique Queiroz (PP).

Cigarros – A CPI escutou, também, três pessoas acusadas de integrar uma quadrilha de receptação de cigarros roubados na Região do Agreste. Severino Pereira da Silva, conhecido como Regi; Wellington Lemos Silva, o Ninho; e José Ferreira de Andrade, o Pesão, foram presos, nos municípios de Caruaru e Gravatá, na última sexta-feira (11), com caixas de cigarros roubadas. De acordo com o deputado Henrique Queiroz, eles foram presos após denúncias apuradas pelos parlamentares durante depoimentos à CPI na semana passada e repassadas à polícia.

Os três acusados alegaram desconhecer a origem dos cigarros e afirmaram tê-las comprado na Feira da Sulanca da Caruaru. Eles também negaram fazer parte de uma quadrilha de recebimento de mercadorias roubadas e informaram não se conhecer nem saber quem são os responsáveis pela venda dos cigarros na feira. “Tivemos informações de que essas pessoas estão envolvidas numa grande quadrilha de receptação de cargas de cigarros roubadas. Os prejuízos causados pelo roubo e falsificação de cigarros, somente em Pernambuco, são da ordem de R$ 54 milhões anuais. No Brasil, esse valor chega a mais de um bilhão por ano. A partir das denúncias e informações que estamos recebendo, vamos conseguir chegar aos responsáveis pelos roubos e a outras quadrilhas que atuam com o roubo e a receptação de cargas”, afirmou o relator Fernando Lupa.